terça-feira, fevereiro 12, 2008


Refúgio a 300m

Os caminhos que percorro, de quando em quando, na estrada, mostram uma placa que diz assim: "Refúgio a 300m".
Será que o "refúgio" significa um local seguro para parar?

Estou tentando me refugiar em "A Náusea".
Meio paradoxo, mas...
O problema é que o tempo têm me roubado esses momentos de refúgio!

"A Náusea" é o primeiro romance de Jean-Paul Sartre, um dos maiores escritores do séc. XX.
O livro conta a história de Antoine Roquentim, historiador de 35 anos que se refugia na província de Bouville para escrever a biografia do Marquês de Rollebon.
Dentre outros personagens há a figura de um autodidata, que se dedica a ler toda a biblioteca municipal, em ordem alfabética, por autores.
E claro, como todo romance há uma mulher, a Anny.


Às vezes a estrada toda podia ser um grande refúgio... que podia findar logo lá...




sexta-feira, janeiro 25, 2008


Tempo, tempo, tempo



24h não têm sido suficientes.
O tempo vem rasgando o som, manchando a cor, embaralhando o amor.
Atividades, pensamentos, sentimentos - todos comprometidos pela ausência do tempo.
E quem o organiza?
O relógio...?
Doce "tic tac" da vida, preso às horas, aos minutos, aos segundos.

Pessoas vêm e vão.
Deixam algo de si.
Levam um pouco de nós.

E como diz o poeta:
"Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!"

Organiza-se uma coisa aqui, pinta-se uma parede ali.
Desliga-se a TV, abre-se um livro.
Vive-se o amor, sonha-se acordado.

Para tudo um tempo.
Para sempre, cada dia.



domingo, janeiro 13, 2008

Cultura de botequim: os tropeços e enganos dos provérbios populares

Soa engraçado e fascinante, mas o telefone-sem-fio ao longo de muitos séculos conseguiu manter vivos muitos provérbios populares.
Tudo bem, nessa viagem intertemporal muita coisa se perdeu... e foi "recriada".
Nas andaças por esses botequins da vida acabamos aprendendo muitas coisas!
Por exemplo:

"Quem tem boca... vai a Roma..."
"Cuspido e escarrado..."

Quem nunca os ouviu por aí?
Pois então... estão certos ou estão errados?
Não se choquem... mas estão errados.

(tudo bem... eu confesso, um dia eu acreditei que eles estavam certos... mas não contem a ninguém!)

"Quem tem boca, vaia Roma..."
"Esculpido a carrara..."

E os significados?
Ah, teremos que continuar a discussão de botequim, no botequim... as interpretações foram as mais variadas e divertidas!

segunda-feira, janeiro 07, 2008


Feitoooo!!!



A um ausente
(Dedicado ao querido vô Oswaldo - 1 ano em outro plano astral)

Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompestee sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.

Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu,

enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?

Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.

Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste.

Carlos Drummond de Andrade


quinta-feira, janeiro 03, 2008

Sobre os ventos de ontem...

O ano de 2007 foi um importante ano na minha vida.
Sei que deixo pouco de mim pelo blog... algumas sensações, poesias, histórias, palavras soltas, sem muita cumplicidade.
É sempre importante registrar fatos, momentos, sentimentos - a vida em si.
O vento pode levar muita coisa, mas ele não consegue levar embora uma cena gravada no coração, uma gargalhada bem dada em reunião de família, um passeio pelas luzes do Natal de Gramado, uma visita silenciosa ao Templo Budista, um mergulho aventureiro durante um rafting.
Igualmente, o vento não pode levar uma última reunião anual de um quarteto fantástico, um beijo roubado, os pés tocando a areia macia de Garopaba, a doce brisa da Gamboa, as lembranças das aventuras de um ano que passou, os sonhos que se formam durante um espetáculo particular de fogos de artifícios.

Que os ventos de hoje e de amanhã sigam a iluminar e a emocionar o caminho a seguir.

O QUE O VENTO NÃO LEVOU (por Mário Quintana)

“No fim, tu hás de ver que as coisas mais leves são as
[únicas
que o vento não conseguiu levar:

um estribilho antigo
um carinho no momento preciso
o folhear de um livro de poemas
o cheiro que tinha um dia o próprio vento...”

quarta-feira, novembro 14, 2007

Inveja branca de Nietzche...

Grande filósofo, amigo da natureza, da arte e do conhecimento.
Alguém com uma capacidade muito grande de compreender e expressar as coisas da vida através de palavras exatas...
Muitas pessoas talvez busquem dois terços de sua sabedoria, mas tenho cá minhas dúvidas: acho que dois terços vivenciando capiciosamente cada segundo de suas palavras já era uma, não?
Quantas vezes saímos desatinadamente caminho afora?
Nossa... sem pressa, amigo.
Volte às bases.
Volte-se aos sentidos.
E se nada fizer sentido, busque a leveza.
Pois "uma coisa é necessário ter: ou um espírito leve por natureza ou um espírito 'aliviado' pela arte e pelo saber".

Liberdade?

"Todos os homens, de todos os tempos, e ainda os de hoje, dividem-se entre escravos e livres, porque quem não dispõe de dois terços do próprio dia é um escravo, não importa o que seja de resto: homem de Estado, comerciante, funcionário público ou estudioso."

Palavras de Friedrich Nietzsche.

quarta-feira, outubro 24, 2007

Poesia roubada...

"Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se achá-lo, segure-o!"

Fernando Pessoa

quarta-feira, outubro 17, 2007

Era uma vez...

Era uma vez uma pessoa desocupada.
Ela acordava e não tinhas ocupações.
Durante o dia, por falta do que fazer, ela postava desocupações em seu blog.
E ao cair do dia, ela se desocupava novamente, de forma que adormecia desocupadamente.
E nessa desocupação toda, ela finalmente se ocupou.
Se ocupou em desocupar-se.
E ponto final.

sexta-feira, agosto 31, 2007

Pérolas das conversas alheias em terra alemã - parte II

O jovem rapaz marca nova consulta com seu oftamologista, depois de um tempo sem aparecer.
Durante a mesma, o médico começa a fazer perguntas burocráticas, como quem busca se livrar rapidamente de todos os seus pacientes daquele dia.
- Então me diga... como está o senhor?
- Do meu ponto de vista, Doutor, estou ótimo!
Pérolas das conversas alheias em terra alemã

Duas jovens senhoras vinham conversando pela calçada.
Ambas aparentavam uma idade qualquer entre 40 e 45 anos.
Enquanto caminhavam rapidamente, trocavam confidências:
- Eu não estou nada bem Odete.
- Mas o que tu tem, querida?
- Não sei mais o que fazer... faz 12 dias que estou menstruada!
- Meu Deus, minha Nossa Senhora!

domingo, maio 27, 2007

Shii, tá muito frio para postar.
Tá frio até para raciocinar.
Viva o chocolate!!!

domingo, maio 20, 2007

"O que faz a gente ser grande é não perder o futuro de vista.

É chegar a um porto, fincar a bandeira da conquista e nesse mesmo instante começar buscar outros portos.

É criar desafios, calcular riscos, avançando sempre.

Porque a grande aventura é viver!

E a vida, assim como as ondas, tem um jeito diferente de se repetir, de prometer descobertas e abrigar todos os tipos de sonhos e embarcações.

O que faz a gente ser grande é ser como o mar: incansável na busca pela onda perfeita.

Até descobrir que a perfeição está na própria busca.

E nesta busca, jamais devemos esquecer quem somos e de onde viemos, da família, do amor, dos amigos verdadeiros, da sinceridade, da humildade e da solidariedade para com nosso próximo!

Faça o que for necessário para ser feliz.

Mas não esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade."

Mário Quintana

terça-feira, janeiro 09, 2007

Um tributo ao Rei da Bocha

Grande Oswaldinho da Barata, Rei da Bocha de todos os tempos.
Quase 95 anos de vida.
Descansaste no 7º dia da semana, domingo, do ano de 2007.

E foi-se lúcido, levando consigo todas as manifestações de amor possíveis desse nosso mundo estranho.
As lembranças são infinitas. Os ensinamentos inesquecíveis. A saudade é enorme.
Tantas histórias para contar... tantas "baratas", "materiais"...
Quando eu crescer, quero ser igual a ti.
Quando eu crescer, quero ser um avô como tu.
Quando eu crescer, quero poder envelhecer bem até chegar aos quase ou mais 95 anos de vida.
Quando eu crescer, quero aprender a não reclamar, a agradecer pelo menor gesto de atenção e a sempre dizer que está tudo "muito bem".

Voa em paz na tua barata mágica. Que a luz te guie no caminho do bem.
Sei que deves ter sido recebido por um maravilhoso material de biquíni no céu... seria presente do Velhinho Lá de Cima?

sexta-feira, dezembro 22, 2006

FELIZ NATAL E MARAVILHAS PARA 2007!!!

Mais um ano está terminando... foram muitas mudanças. Aliás, a vida é feita de mudanças diárias, contínuas, ininterruptas. O que seria de nós se ficássêmos imóveis, inertes, quedantes?
E é nas ondas desse movimento todo da vida que reencontramos pessoas queridas, fazemos novos amigos, estamos com familiares, sorrimos, lemos poemas, ouvimos boas músicas e até ousamos dançar pelo salão... seja o salão da garagem, o salão de entrada do prédio onde moramos, ou o salão da vida.
Enfim, também aprendemos a nos mover com os nossos tropeços, com as doenças alheias, com a mentalidade pequena e tacanha de alguns, com as esmolas que nos pedem nas ruas, com as mágoas e as cicatrizes difíceis de curar...
Mas se não fosse por causa desse vai-e-vem, nada teria sentido. Não teríamos os nossos sentidos. Não estaríamos hoje agradecendo por tantas bênçãos.
Hoje, desejo um mundo de coisas boas, alegres e positivas. E que essa energia se espalhe por todos os conhecidos e desconhecidos, durante todo o 2007 em diante!
Saudações coloradas, de uma campeã mundial de 2006.
Que 2007 seja pleno de vitórias, daquelas suadas, apertadas e inesquecíveis!

domingo, setembro 03, 2006

Como nascem as piadas de loiras...

Manhã de quarta-feira. Aula de renovação da Carteira de Habilitação Nacional. O instrutor de trânsito pergunta para os seus alunos o porquê da possibilidade de um menor de 16 anos se habilitar para dirigir automóveis nos Estados Unidos, em contraste com a permissão brasileira ser apenas aos 18 anos. Silêncio na sala de aula. Subitamente, a loira responde: " Porque nos Estados Unidos todos os carros possuem câmbio automático, enquanto que no Brasil não." Perplexidade instântanea nos primeiros segundos, seguida de uma estrondosa gargalhada geral da turma...
História verídica, acreditem.

quinta-feira, agosto 17, 2006