terça-feira, maio 13, 2014

A vida em semanas

Eu nunca imaginei que estabeleceria alguma ligação com a contagem do tempo em semanas, até ficar grávida. E acreditem: não se trata de simplesmente “contar” o tempo. Se trata de “viver”, semana a semana, com uma expectativa totalmente diferente de tudo o que já se viveu até então.

Há quem diga que é absolutamente normal uma mulher estar grávida e só descobrir a “mudança” quatro ou cinco meses depois. Eu diria que isso é papo pra novela das oito, porque desde o início de tudo, eu senti algo “diferente”.

Realmente não há como descrever com palavras. As mulheres que passaram por isso tem experiências próprias, sentimentos únicos, momentos mágicos. Cada uma se emociona ao seu tempo, na sua intensidade, na grande transformação que toma conta do ventre e vai preenchendo, semana a semana, a alma da gente.

Uma pena que os homens jamais terão qualquer noção do que acontece, embora sejam ótimos fantasiadores. E mesmo que uma mulher nunca venha a experimentar a sensação física, tenho certeza que ela sempre entenderá a mágica que existe, mesmo que apenas adote um ser humano. Gravidez é papo de mulher, está no nosso íntimo, até mesmo quando, por um motivo da natureza, não acontece.

É incrível como um sentimento, seja ele só de prazer, seja ele só de amor, ou seja ele de prazer e de amor, é plantado e vai crescendo em uma velocidade incrível, até aparecer um botãozinho, um feijãozinho, um serzinho.

Semana a semana é a contagem técnica da medicina, que começa bem antes da concepção propriamente dita, exatamente no primeiro dia da última menstruação da mulher. Na minha cabeça uma contagem maluca, pois seis semanas de gestação correspondem a duas primeiras semanas antes da concepção mais quatro após a concepção. Pra entender mais sobre isso, é só dar uma lida aqui.

Mas o legal da nossa globalização é que existem sites interessantes que te ajudam a compreender e a conhecer semana a semana da gestação. Por indicação de amigas me inscrevi em dois: a) BabyCenter; b) Guia do Bebê.

Nesses sites, dá para ter uma ideia da transformação semanal dentro do útero, dos próximos passos, entender outras mulheres no mesmo período, trocar experiências, mas a maior dica de todas que eu dou é a seguinte: compartilhe dúvidas, receba orientações e troque ideias com um profissional competente - o seu ou a sua médica. Ninguém mais, ninguém menos.

Assim que as pessoas ao seu redor souberem que estás grávida, esteja preparada. As transformações físicas e psíquicas internas são fantásticas, pois elas acontecem só pra ti e ninguém as julgará ou tomará conta delas, a não ser que tu as externes.

Contudo, são infinitas as dicas do que comer, de como dormir, de como se vestir, como cuidar dos seios, das estrias, evitar inchaços, blá blá blá. No mesmo dia, várias pessoas vão dizer coisas totalmente opostas, como se fossem verdades seladas. Não caias nessa. Apenas sorria e agradeça. Mais tarde, virão as histórias trágicas, porque o ser humano adora fazer uma tortura mental com os outros, principalmente com as pobres das grávidas.

Embora pareça que a gestação passe rápido, as coisas se desenvolvem em três grandes tempos: os trimestres.

O primeiro trimestre compreende o primeiro ao terceiro mês. Aqui, tem gente que tem cólica, sangramento e enjoo. Outras não tem nada e é uma fase gostosa, pois não há ainda o peso da barriga e a locomoção ainda é rápida. Mas há mais sede, fome e sono. Uma dica: hora de procurar uma nutricionista. Ninguém melhor do que essa profissional pra orientar sobre alguns alimentos, como café, chimarrão e chás, dos quais ouvimos infinitas histórias de que podem ou não podem ser consumidos.

O segundo trimestre compreende o terceiro ao sexto mês. Quem passou ilesa pela cólica, sangramento e enjoo continua vivendo uma fase gostosa, pois agora a barriguinha começa a ter forma e já dar pra se sentir “mãe-canguru”. Pode aparecer inchaço e a necessidade de não se dormir mais de bruços, pra quem curte essa posição. Tudo vai depender do tamanho da barriga. Uma dica: hora de procurar uma fisioterapeuta. Ninguém melhor do que essa profissional pra fazer uma drenagem linfática (é um tipo de massagem), pois a essa altura do campeonato o nosso corpo já sofreu grandes transformações, principalmente a postura e o eixo-corporal. Aqui a gente nota que não dominamos mais o nosso equilíbrio e o cuidado passa a ser maior, principalmente no trânsito.

O terceiro trimestre compreende o sexto ao nono mês. Fase sem qualquer glamour, pois o cansaço chega de uma hora pra outra, a barriga pesa, o ar começa a faltar, não temos mais roupa adequadas, mas não se desespere, pra tudo há uma solução. Uma dica: antes e durante a gravidez faça algum exercício físico, diretamente recomendado pelo(a) médico(a) que acompanha o pré-natal. Eu fiz até o nono mês caminhada, musculação e alongamento, sob orientação e supervisão médica e de educador físico.

Na verdade, a natureza é sábia e fantástica. Nada se desenvolve sem ser para o bem. Nada se cria sem um propósito. Não existem regras prontas, nem manual da boa gravidez. A vida vai assim, preenchendo as semanas, mostrando seus encantamentos, vai selando relações cósmicas, vai se comunicando pelo astral.

Às vezes não sabemos mais se um pensamento é nosso ou é “dele” ou “dela”. Às vezes não sabemos mais se o acelerar do coração é nosso ou é “dele” ou “dela”. Tudo se mistura, se materializa. E embora papo de gravidez seja coisa de mulher, nada se cria ou se desenvolve sem a presença do pai.

O certo é que quanto mais amor e harmonia houver entre o casal, quanto mais paz e tranquilidade houver durante a gestação, a natureza vai se encarregar dos pormenores, da hora certa, da chegada abençoada, e de todas as emoções que vão inundar o momento mágico do nascimento.

Se for pra engravidar, faça amor.

Fica a dica.


quarta-feira, outubro 30, 2013

O tempo, o trânsito e a despedida

Dizem que percorremos os caminhos que escolhemos, sejam boas ou más escolhas, mas a verdade é que só saberemos o que aprenderemos com elas depois de vivenciá-las.

Fiquei um pouco mais de um ano trabalhando em uma cidade próxima da capital, mais ou menos há uma hora e meia de casa, de carro. Embora exista uma infinidade de pessoas que não gostem de viver no trânsito e não têm a menor paciência com ele, eu sempre gostei de dirigir, principalmente o meu carro.

E já que tinha que me acostumar a perder quase que 3h por dia dentro dele, que fosse da forma mais saudável possível. Por algum tempo apenas ouvia música, percebia a falta de educação de motoqueiros, taxistas e motoristas de ônibus da capital gaúcha, sonhando em um dia acordar com uma brilhante ideia para “educar as pessoas no trânsito”.

Infelizmente, foram longos dias assistindo as maiores atrocidades nas vias públicas gaúchas, em meio a rezas de que eu jamais seria uma daquelas pessoas estúpidas a criar problemas daqueles feitios. Peguei chuva, sol, vento, calor, tempestades, dias nublados, ensolarados, vi caminhões tombados, acidentes recém ocorridos, gastei muita grana nos pedágios e chorei pelas estradas não receberem o devido retorno.

Certa vez, não sei bem ao certo como aconteceu, mas entrou na minha vida os tais audio-books, e também consegui com a minha professora de pilates local (a querida Simone) as melhores palestras de vida que já ouvi, provenientes do meu amigo “Di”, como passei a chamá-lo, depois de tantas conversas pelo caminho. Foram os melhores momentos da minha jornada diária no trânsito. Tinha dias que não queria chegar no trabalho sem antes ouvir o fim de um capítulo, ou ficava em frente a minha casa, esperando o tópico acabar. E foi aí que entendi aquele ditado de que mais vale o percurso da viagem do que a chegada no destino final.

Assim, o trânsito cansativo e angustiante de todos os dias foi perdendo espaço para os meus áudios, que me trouxeram um doce alento durante o caminho. Igualmente, pouco a pouco fui começando a me apaixonar pelo meu local de trabalho, um ambiente de boa harmonia, onde conheci diversas pessoas do bem. Essas sim eram a alegria dos meus dias de trabalho, por mais pesados que eles fossem, por mais problemas que eu tivesse que resolver. Nada se compara ao fato de podermos contar com pessoas sinceras, adoráveis, educadas e inteligentes.

E difícil mesmo foi, depois de pouco mais de um ano, deixar a sala 13, as minhas queridas estagiárias Eniale, Jana e Paty (responsáveis, inteligentes e lindas), a tia Vera e suas guloseimas maravilhosas, as conversas agradáveis de corredor de fórum, as tentativas – todas frustradas – de fazer o cover da cantora Paula Fernandes para a Loiva e a Terê, enfim, tanta gente bacana de se conviver e de se viver, que vai ser difícil nominar. Ali pertinho, também vou sentir saudades das Gabrielas e da Camila, bem como de trabalhar ao lado de uma colega muito especial: a Roberta.

Despedida sempre é um troço ruim, principalmente quando se deixa um lugar muito bom. Mas no meu caso, nunca é tarde para voltar lá e viver outras tantas coisas boas novamente, já que, na minha profissão, é sempre possível voltar atrás em algum lugar do Estado. Pena que, se um dia eu voltar, muita gente boa não estará mais por lá. Por enquanto, o lugar está seguro com o Rodrigo.

Se me perguntarem se valeu a pena desperdiçar praticamente 3h do meu dia dentro de um carro, ter paciência para o engarrafamento na saída e na entrada de Porto Alegre, ter disposição para trabalhar mais 8h por dia, eu digo que faria tudo novamente, principalmente se o “Di” continuasse a me acompanhar.


Às vezes só entendemos porque trilhamos certo caminho um tempo depois. Às vezes, nunca chegamos a entender porque tivemos que percorrê-lo. Mas o principal é poder olhar pra trás e sentir que o dever foi cumprido e, por mais árduo, ainda assim, fomos muitos felizes.

Até logo, Charqueadas querida.

Obs.: "Di" é o apelido carinhoso que dei a Divaldo Pereira Franco, grande homem.

domingo, maio 05, 2013

2013 - o ano de dar valor aos sentidos


Respira fundo, é oxigênio”.

Essa foi a última frase que lembro ter ouvido do anestesista enquanto a sua ajudante segurava o oxigênio próximo da minha boca.
E enquanto respirava fundo, me dei conta que jamais tinha respirado um ar tão puro como aquele, e me concentrei ao máximo para aproveitá-lo, pois sabia-se lá Deus quando eu iria voltar a respirar novamente.

Embora tenha parecido ser uma decisão de última hora, a verdade é que há anos eu adiava a rinoplastia, a tal cirurgia para a correção do meu desvio de septo nasal. Noites e noites sem dormir direito, dias fungando, casacos com diversos lenços de papel pelos bolsos, espirros inusitados, barulhos inconstantes, exaustão.

Após apagar completamente com a anestesia geral, acho que algumas horas depois acordei no caminho da sala de cirurgia para a sala de recuperação, quando então o anestesista fez um pit stop para que a minha tia, minha fiel escudeira do início da minha batalha, pudesse ter notícias minhas e repassar para a minha mãe e meu marido, que chegariam logo após para me acompanhar no restante da minha corajosa jornada.

Lembro que antes de me preparar para a cirurgia o médico me alertou que ao final ele iria enfaixar meus olhos para que o inchaço fosse "menos pior" do que o normal na região dos olhos e dos seios da face, esclarecendo que eu não me preocupasse, pois não poderia abrir os olhos por umas 4h, mais ou menos, situação essa que deveria ser encarada como normal.

Ao ouvir a voz da minha tia e do anestesista conversando entre si e comigo, percebi que não tinha condições alguma de abrir os olhos, mas não sentia qualquer dor no nariz, estava me sentindo bem. Minha tia ainda brincou dizendo que tinham mexido nos meus olhos, como se tivessem trocado a cor deles... eu logo corri na frente e lembro de ter dito: “finalmente terei olhos verdes...”.

Comentário de pessoa anestesiada, óbvio.

O anestesista, mais engraçadinho ainda, disse que teriam ficado azuis da cor do Grêmio e eu, Colorada até a alma, cheguei a sentir uma estranha dor na hora... passageira e extremamente psicológica, claro.

Já na sala de recuperação, a única coisa que sentia era fome, sede e a minha audição ligeiramente aguçada. Ar, só pela boca. Ouvia o ti ti ti do pessoal que trabalhava na sala de recuperação, uns indo para a direita, outros para esquerda. Mesmo com os olhos enfaixados, via uma claridade à minha frente e imaginava que pudesse ser de uma janela.

Foi uma mulher a primeira pessoa que falou comigo na sala de recuperação. Sua voz parecia ser jovem, falava devagar e discretamente, parecia saber o que estava fazendo, percepção essa que me trouxe uma certa segurança. Perguntou como eu estava, eu disse que estava com fome e com muita sede, queria água. Ela logo me alertou dizendo que checaria se eu poderia beber e comer alguma coisa e já voltaria.

Um vazio se fez.

Por um período que não sei precisar quanto ninguém apareceu. Levantei o braço direito, pois era a única maneira de eu me comunicar deitada naquela cama com o rosto todo enfaixado. Alguém parou e perguntou: “está tudo bem?”. “Quero água”, eu disse.

Em seguida veio a mesma moça que falou comigo da primeira vez e me trouxe água em um copo com canudo e um pouco de gelatina. Me ajudou a tomar água, disse que eu bebesse devagar, e depois me ajudou a comer umas duas colheradas de gelatina. A minha fome era de alguma coisa salgada, não doce. E aí ela se despediu, disse que o turno dela estava acabando e me desejou melhoras.

Outro vazio se fez.

Entre uma cochilada e outra eu podia ouvir os funcionários da sala de recuperação conversando sobre banalidades de suas vidas particulares, bem como sobre a falta de leitos para alguns operados, como era o meu caso, que estava aguardando um quarto. E eles também conversavam sobre o estado de saúde de algumas pessoas, não sei se daquelas que estavam na sala de recuperação ou não, o que me deixou um pouco constrangida. Era como se estivessem falando da vida daquelas pessoas que estavam ali, se recuperando de uma cirurgia qualquer, sem qualquer pudor, como se elas não pudessem dizer nada, principalmente ouvir. Eu quis falar, dizer-lhes que não falassem das pessoas,  pois elas poderiam estar debilitadas e, como eu, ouvindo.

Certamente eu parecia não estar ouvindo nada, pois estava - segundo a minha mãe me confidenciou depois, quando então foi-lhe permitida a entrada na sala de recuperação – como uma múmia (com o rosto todo enfaixado).

O tempo passava e a fome e a sede cresciam. Ergui novamente o meu braço direito e uma mão delicada, suave, com a pele hidratada, levemente tocou na minha e perguntou: “O que precisas?”. “Água”. Logo em seguida minha mãe entrou na sala de recuperação e, como uma heroína, me salvou da fome e da sede.

Mãe é mãe, não adianta.

A funcionária trouxe suco de gelatina, gelatina sólida e um iogurte light. Eu só pensava: “pra quê tanta gelatina, que coisa mais enjoativa, manda logo um franguinho grelhado com arroz e purê de batatas”. Daí minha mãe, que adora uma conversa, após me perguntar como eu estava me sentido, começou a me descrever o lugar e as pessoas ao redor, já que eu estava “cega” no momento.

Eu comentei com ela o fato de eu estar ouvindo tudo o que as pessoas estavam conversando e de como havia me sentido ao ouvir falarem dos outros "cirurgiados". E enquanto falava me dava conta que é exatamente isso que todos nós fazemos durante a nossa vida. A única diferença é que eu não estava VENDO, estava apenas OUVINDO e, portanto, CONSTATANDO atenciosamente.

Quantas vezes não fazemos um comentário horroroso sobre alguém minutos depois de ela sair da sala? Quantas vezes não fomentamos uma fofoca grosseira sobre alguém, mesmo quando não temos a menor ideia de que realmente o fato existiu? Por que temos essa necessidade de cuidar da vida dos outros?

Esse foi o meu primeiro choque pós-cirúrgico.

Aquela constatação me partiu a alma.
Quantas vezes eu não teria agido assim? E o pior, sem me dar conta?

Após uma conversa engraçada e divertida com a minha mãe, que me fez rir como uma estátua, ou múmia – como ela mesma me definiu - ela teve que sair e se despedir, um pouco chateada, pois não tinham deixado ela entrar com o celular e ela queria tirar uma fotografia minha para que eu me visse posteriormente. Coisas de Beth, mas eu teria adorado ver essa fotografia. Me contentei com a minha imaginação, que estava mais do que criativa naquela quinta-feira.

E chega uma hora na sala de recuperação que tu tens vontade de levantar da cama e ir pra casa. Não sei se isso acontece com todo mundo, mas eu já não aguentava mais me “recuperar” da cirurgia. Já tinha tomado água, comido todas as formas da gelatina, conversado com a minha mãe, ouvido as histórias dos funcionários. Já sabia que ainda não tinha um leito livre pra mim.

Foi quando então me deu aquela vontade de fazer xixi. Bah, ergui novamente o braço. Eu tinha duas alternativas: a “comadre”, em que eu iria urinar ali na cama mesmo, sem a menor ideia de como seria “operacionalizada” a coisa, ou esperar mais alguns minutinhos para tirar a faixa dos meus olhos e ser levada até o “banheiro”. Alternativa dois, por favor.

Após longos minutos veio a funcionária com os aparatos e começou a, literalmente, me desvendar. E logo veio o segundo choque pós-operatório.

Ela tirou a faixa e eu não enxergava absolutamente nada.

Pacientemente a funcionária me alertou: “não te preocupas, logo vais voltar a enxergar, a faixa estava pressionando os teus olhos, isso é normal. Eu vou tirar o excesso da pomada que está ao redor”.

Normal?

Normal para mim seria se eu tivesse despertado de um sono qualquer, vendo todas as cores e formas, como acontece todas as manhãs, mesmo que com uma visão um pouco míope.

Fiquei atônica por alguns instantes e pensei: “então é assim que os cegos se sentem?
Que droga.

Primeiro, nada existia. Depois, minha visão ficou esbranquiçada. Aos poucos foi voltando e com ela, a noção de quão importante é ENXERGAR nesta vida. Mas é engraçado como eu estava “VENDO” toda essa situação sem “ENXERGAR”.

Muitas vezes na vida nós vemos, mas não enxergamos.

A primeira coisa que enxerguei quando vi novamente foi a janela à minha frente. De fato havia uma janela. Mas eu a imaginava pequena, enquanto ela percorria todo um corredor, dava para a frente do hospital, e eu já podia ver que o sol estava se pondo, em um lindo fim de tarde. Os raios de sol cruzavam a faixada do prédio do outro lado da rua e eu avistava algumas árvores - a cena era incrivelmente colorida.

Nesse instante, nesse exato instante, eu agradeci a Deus por ENXERGAR, por OUVIR, por SENTIR, por PENSAR e, por num futuro bem próximo, voltar a RESPIRAR novamente.

Depois de “recuperada” e de um leito vago, fui descansar em outro andar, quando então minha mãe e meu marido passaram a me acompanhar no restante da minha inusitada empreitada.

Nenhuma dor no nariz, nenhuma complicação. Apenas um congestionamento nasal pesado, respiração pela boca, visão turva da miopia e da impossibilidade de usar meus óculos ou minhas lentes de contato, cansaço da cirurgia, e muita coisa para dialogar comigo mesma.

Silêncio.
Momentos de paz.

Fiquei apenas uma noite no hospital e no outro dia já estava liberada para ir para casa. Muitas ligações, mensagens pelo celular, mimos e carinhos da família e amigos. Hematomas pelo rosto (faz parte da rinoplastia a que me submeti), o ar voltando aos pouquinhos a habitar o meu nariz, agradecimentos ao meu médico, Dr. Júlio Stédile Ribeiro, ao anestesista Gustavo (que ressurgiu de um ponto do passado de Garopaba), à equipe do Hospital Mãe de Deus, à minha tia Zéca, à minha mãe Beth e ao meu marido Paul.

Ainda não estou com o nariz 100% funcionando e o meu rosto ainda está qualquer coisa inchado e roxo. Ossos do ofício. Primeira batalha, vencida.

Contudo, estou reaprendendo a respirar, instruindo a visão, aprendendo a ouvir, renovando o sentir. Segunda batalha, em exercício.

domingo, julho 22, 2012

Casar ou não casar, eis a questão


Há muito tempo que tenho algumas coisas para falar sobre “casamento”.
Essa palavrinha aí que gera arrepios no macharedo e suspiros na mulherada.
Mas vamos combinar uma coisinha: do casamento dos meus avós até os dias atuais, o mundo wedding deu muitas voltas.

Há alguns anos atrás eu fui a vários casamentos na sequência. 
Casamentos religiosos, civis, de festa chique, de festa simples, de muitos discursos, de poucos amigos, de grandes sorrisos, de diferentes lágrimas, de cumplicidade no olhar, de comida picante, de música alta, de bebida controlada, de amor estampado no ar, de família reunida, de desejo cumprido.

E ficava imaginando como seria o “meu” casamento.
Não que fosse uma coisa que eu quisesse muito, sério. 
Desde adolescente pensava que “se” fosse casar, seria de dia, com a luz do sol estampada no rosto, em um gramado lindo, cheio de flores, sem igreja, mas com o noivo “certo”.

Durante muito tempo meu pai ficou tranquilizado, porque eu dizia que não queria festa de casamento, achava um insulto gastar uma grana preta quando se podia até comprar um apartamento com o valor da festinha (embora eu tivesse consciência que o meu pai não pagaria tal dote), porém, qual mãe de noiva não sonha com uma festa pompuda no dia do casamento da filha?

Aí, eu fui surpreendida com um anel de noivado no dia do meu aniversário ano passado, sabe aqueles que chamam de “solitário” (nunca entendi esse nome, pois é o anel que acompanha a aliança de casamento, certo?), e acabei repensando a história de fazer uma festa, que bem que podia sair barata, não?

Sim, podia e saiu.
Mas a questão não era o “preço” da festa, e sim o “valor” da união.

Encontrar a alma gêmea pode ser uma tarefa árdua, mas acreditem, ela existe, e acontece quando menos se espera.
E casamento – com festa ou sem festa – só é bom se estivermos na companhia da pessoa certa.

A pessoa certa é aquela que se afina à tua energia, que se amolda à tua harmonia e que fala a mesma língua que a tua, sendo a recíproca totalmente verdadeira e necessária

É alguém que te respeita, que tu respeitas; é alguém que te admira, que tu admiras; é alguém que te provoca felicidade, que tu fazes feliz; é alguém que vibra na tua energia, que tu sentes a energia; é simplesmente alguém te ama tranquilamente, que tu amas infalivelmente.

E esse é o “x” da questão “casamento”.
A pessoa certa é aquela que não deixa nenhuma dúvida.

Não adianta ter a festa perfeita, o vestido de noiva inédito (e caríssimo), o tapa de luva provocado em pessoas de pouca fé, a filmagem de cinema, as fotografias de modelo, o que fica mesmo é a cumplicidade do casal. E é só isso que vai contar no bravo e longo caminho do matrimônio, porque casamento requer muita ginga.

Na época dos meus avós não havia muitas escolhas, e não tenho certeza se eles puderam escolher alguma coisa. O cara certo nem sempre era certo e a mulher tinha que se submeter a muitas situações constrangedoras, pois, afinal de contas, “tinha” que se casar. Muitos casamentos se resumiam a excelentes fusões de negócio entre famílias, embora se saiba que isso ainda existe hoje em dia. E há quem diga que embora o casamento tenha sido “engendrado”, o “amor” veio com a convivência ao longo do tempo. Amor ou conforto? Amor ou submissão?

Mas para aqueles que podem escolher, principalmente as mulheres que sonham com esse dia desde pequenininhas, não se enganem, nem gastem energia em relacionamentos fadados ao insucesso com homens imaturos, arrogantes ou "incompatíveis".

Há muita gente legal por aí, basta olhar para o lado. Às vezes, pode ser aquele colega de faculdade amigo, querido e sensível. E note que sensibilidade tem a ver com a existência de um olhar atento ao que há de melhor na vida.

E ficam as dicas: 

1) na dúvida, não case.

2) na certeza, se entregue.

3) e se quiser fazer uma festa, ela não precisa ser cara e pompuda, basta ser verdadeiramente desejada.

... e eles viveram felizes para sempre.


quarta-feira, fevereiro 29, 2012

why are you doing this to me?


Diz o ditado popular que a curiosidade matou o gato.
Aqui em casa, além de mim, vivem dois grandes curiosos.

Um deles é uma felina, conhecida por Amèlie Poulain, que por sua natureza siamesa é muito ávida aos segredos alheios, principalmente quando se trata dos humanos e de seus hábitos esquisitos.
Há quatro semanas, Amèlie circulava pela janela da área de serviço – a qual está provisoriamente sem telinha para gatos – e, em segundos, desapareceu do 5º andar.

A vizinha, que também tem uma gatinha, bateu em desespero na porta de casa e disse que vira um vulto, seguido por um barulho estranho de queda: “acho que era a gatinha de vocês”.
Segundos depois, mesmo não acreditando que de fato Amélie Poulain havia se jogado/escorregado do 5º andar, descemos na velocidade da luz as escadas do prédio, encontrando-a escondida atrás de uma bicicleta nos fundos do edifício.

Havia um pequeno corte no queixo dela com poucas gotas de sangue, mas nenhum sinal de fratura ou batida.
Fomos imediatamente à veterinária que mora em frente ao nosso prédio e lá constatamos que ela também havia mordido a língua (quem mandou querer espiar a intimidade dos vizinhos), mas que o ideal seria fazer uma ecografia, para ver se ela não tinha machucado algum órgão na “descida”.
Depois da ecografia a comprovação de que havia um pequeno coágulo na bexiga, que poderia ter sido causado pela queda, traduzida em uma leve cistite, acompanhada de um remedindo para sarar.

Quem foi que disse que gato não tem 7 vidas?
Neste caso, a curiosidade de Amélie quase a matou.
Ainda bem que o provérbio não vingou dessa vez.

Amèlie depois da queda tentando provar que ainda possui outras 6 vidas

Um segundo episódio, envolvendo um outro gato, esse humano, ocorreu em Cancun, no México. Depois daquela tormenta do post anterior, ainda vivenciamos um momento que, ao meu ver, foi bem mais crítico e perigoso do que a chegada do Rina.

Era a nossa última noite em Cancun e nos preparávamos para ir ao CocoBongo, uma discoteca-bar-show com bebida liberada, um lugar inigualável e que vale a pena ser visitado, ainda que custe – o ingresso mais barato – U$ 50 dólares por cabeça.
Lá pelas 18h saímos daquele marzão verde-água, pedimos um lanche no quarto e começamos a arrumar as malas para nossa volta ao Brasil, já que era a última noite no México.
Ao entrar em nosso quarto a verdadeira “tormenta” começou.

Um jovem casal americano no quarto ao lado começara a discutir, mas apenas ouvíamos a voz feminina, que dizia incessantemente: “why are you doing this to me? Why are you doing this to me? Why are you doing this to me” (na tradução livre: “por que você está fazendo isso comigo?”).
A americana tinha uma voz irritante e gritava bem alto para qualquer um ouvir. Mal se ouvia a voz do cara, que por vezes rangia os dentes e sussurrava palavras incompreendidas por nós.
A discussão começou a aumentar e novamente: “why are you doing this to me, Mike!?”.
Opa, o que será que o “Mike” aprontou?

Aí, entrou em cena o meu gato humano. Curioso como ele só (e óbvio que eu também estava curiosa), aproveitou-se do fato de que havia duas portas entre os nossos quartos (ambas trancadas, é claro), pois era o tipo de quarto que poderia receber uma família grande, e passou a ouvir todas as lamentações, xingamentos e palavreados em inglês.

o que a curiosidade é capaz de fazer com o ser humano?

Em respeito ao Mike e a sua girlfriend, não irei transcrever aqui o tom da discussão de ambos que em certo momento desceu todos os níveis da civilização mundana. Só o que posso dizer é que nem no meu curso de inglês no Fisk ouvi tanta bandalheira (isso que eu tive um professor show de bola que nos intervalos das aulas nos ensinava os melhores palavrões em inglês).

O fato é que aquele dia era aniversário do Mike e, coincidentemente, Dia das Bruxas (30/10). Se ela era uma bruxa ou não, eu não sei. Só sei que o Mike e sua namorada a recém tinham aportado em Cancun e ele queria sair com os amigos para comemorar o seu aniversário “alone”. Ou seja, a turbulência toda da discussão começou porque Mike queria descer até o hall do hotel e beber com os amigos, enquanto sua girl se aprontava para saírem mais tarde.

Ela achou aquilo um insulto, então o tempo fechou e começaram as indagações do tipo (tradução livre e na forma light): “você me trouxe aqui para ficar com as outras? É isso que você quer? O que você pensa que eu sou? É assim que você me trata? Olhe pra você no espelho! Você está drogado, Mike?”. Nesse meio tempo Mike resmunga alguma coisa, não captada por nosso curioso colado na porta (foto ilustrativa acima), e sai porta fora do quarto. Eu juro, eu quase saí atrás pra ver que cara tinha o Mike.

Minutos de silêncio. Paz no corredor do hotel.

Tempos depois Mike retorna ao quarto e aí o medo aportou de verdade em Cancun.
A namorada começa a discussão novamente, com a mesma voz irritante, o que dificulta ainda mais um diálogo civilizado entre ambos, quando então coisas começam a ser violentamente quebradas no quarto e gritos são ouvidos.
Tudo o que eu pensei foi: “quebraram a mesa de vidro do quarto!”.
E aí o pânico tomou conta de mim.
O que seria da girlfriend de Mike?

O meu curioso dizia: só vou ligar para a recepção se ela gritar “help”, porque é bem provável que amanhã o casal passeie de mãos dadas pela praia e esse tipo de atitude seja uma rotina na vida amorosa deles... como se nada de anormal estivesse acontecendo.

Cansados da gritaria e do barulho dos cacos de vidros roçando pra lá e pra cá no chão, fomos jantar e depois curtir uma noite fantástica no Coco Bongo.
Mas eu alertei: se quando voltarmos da noite a gritaria continuar, vou reclamar na recepção do hotel e azar o deles (ou nosso).

Na volta uma pequena luz brilhava por entre a porta e o silêncio era absoluto no quarto de Mike e sua girl.
Será que eles tinham saído?
Será que eles se entenderam, fizeram um sexo violento e caíram no sono?
Será que eles estavam mortos?

Até hoje nos perguntamos e choramos de curiosidade para saber o que aconteceu depois de tanto tumulto. E que cara teria Mike? A sua girlfriend era loira ou morena? Eles usavam drogas? Há quanto tempo estariam juntos? Será que eles fazem o tipo de casal obsessivo por discussões?

Que Deus abençoe a nossa curiosidade e nos mantenha vivos para desvendá-la!

domingo, janeiro 29, 2012

Saudades de uma certa tormenta


Parece mentira, mas moro a umas seis quadras do mar, no litoral gaúcho, e somente no último fim de semana pude, de fato, me esticar na areia, tomar um banho de mar e limpar as impurezas de 2011 com muito sal grosso.

Só que cá pra nós, trabalho e praia não combinam. Pelo menos não com pessoas neuróticas e perfeccionistas (like me), porque na mente dessas pessoas uma chegadinha na beira da praia seria o mesmo que matar o trabalho, ainda que isso ocorra fora do expediente, o que traria sérios conflitos mentais.

Ademais, sobretudo e todavia, se banhar no litoral gaúcho é o mesmo que entrar em uma piscina de leite com nescau, um verdadeiro “chocolate”. Quem veraneia no litoral gaúcho ou lá mora sabe bem o que eu estou falando. Sem falar no repuxo e nas ondas fortes que tornam o banho de mar um verdadeiro “banho tcheco”. Desculpem, mas verdade seja dita.

Plataforma Marítima de Tramandaí, RS, e o mar "chocolate"
E então me vi com saudades de uma certa tormenta que pegamos no Caribe em outubro.

Desembarcamos no aeroporto internacional de Cancun, na Península de Yucatán, México, carregados de muambas provenientes de Miami e de Orlando, cansados das longas caminhadas nos parques da Disney e da Universal Studios e do decréscimo de nosso poderio econômico, e logo no início fomos levados a um blá blá blá de passeios mais baratos, time-sharing camuflado e, é claro, da chegada do furacão “Rina” previsto para “aquela” semana.

Chegando no hotel fomos muito bem recepcionados, todos sorrindo e gentis, champagne liberada no hall de entrada, check in mais cedo, razão pela qual nem me preocupei com o tal furacão, pois caso fosse “muito” sério, nem teriam permitido que desembarcássemos lá. Certo?

Errado.

Cada turno do dia um novo boletim espalhado pelos elevadores, hall de entrada, restaurantes e corredores do hotel. Primeiro, Rina atacaria a Ilha de Cozumel (daí nem cogitamos visitá-la, só por segurança), causando transtornos em Cancun e no aeroporto, sendo que os hóspedes deveriam entrar em contato com suas agências de turismo acerca da possibilidade de troca de voos, pois o aeroporto em algum momento iria fechar.

Nós não ligamos pra ninguém, literalmente e metaforicamente falando.

Passou-se o primeiro dia e aproveitamos para olhar aquele marzão verde-água, parecia filme. Só faltava mesmo o Jack Sparrow passar por ali e dar uma abanadinha, de sunga e protetor solar banana boat. No fim do dia o tempo se fechou e no horizonte tudo ficou escuro...


Rina a caminho
No segundo dia chuva o dia inteiro. Vento forte. Os empregados do hotel forravam grandes janelas de vidro com tábuas de madeira e novos boletins eram afixados nos lugares de fácil acesso. Um ar de seriedade pousou em Cancun.


caindo a ficha?
Bem, se é para esperar o furacão, que seja em grande estilo. 
Me dei o luxo de pagar um pacote no SPA do hotel com tudo o que eu tinha direito, afinal de contas, como diria o cirurgião plástico do Coringa: “se é pra ir, que seja com um sorriso no rosto”.
Saí do SPA me sentindo uma geleia de tão zen. Tinha esquecido por completo a história do furacão, porque na minha cabeça aquilo tudo era só “mídia”.

E foi naquela noite que tivemos que acatar as regras do último boletim de informações, que ao invés de prever um furação previa uma tormenta, o que pra mim não fazia qualquer diferença, até perceber que a tormenta chegaria com bem menos força e que só traria água e vento forte, ao contrário do furacão, que traria vacas, carros, hotéis, turistas e nativos voando pelos ares, como no filme Twister.

Assim, nas doze badaladas notúrnicas tivemos que guardar todas as nossas coisas nas malas, colocá-las dentro da banheira, fechar a porta do banheiro, guardar documentos e passagens no cofre, vestir roupas leves (abrigos travestidos de pijamas), não beber mais do que 4 (quatro) latinhas de cerveja por quarto (alguém acabou se dando bem nessa parte) e levar travesseiros para o salão de eventos do hotel.

Nossa, aquilo me chateou de tal maneira porque já estava quase entrando em modo delta sono... jamais acordem uma leonina no meio da noite, ainda mais para trocar de ninho (nem que seja por causa de um "furacão", ora bolas). Mesmo assim eu não achava que teríamos que dormir fora do quarto, não via nenhuma necessidade pra isso. Eu realmente não tinha a menor noção do que estava acontecendo, ou do que podia acontecer.

Não foi permitido chegar na parte externa do hotel e nem se quiséssemos conseguiríamos, pois o vento e a chuva forte estavam em todos os cantos, produzindo sons mais assustadores do que Jason em "Sexta-feira13".


ao fundo dois seres humanos de capa de chuva amarela tentando cruzar o corredor
Todos os hóspedes foram alojados em pequenos colchões no salão de eventos, mesinhas intercaladas com água e no hall de entrada uma grande mesa com chás, cafés, biscoitos e outras guloseimas.


o auge do Rina
Depois de colocarem pra tocar “Imagine”, do John Lenon, e de um americano ao lado da gente comentar que com aquela música só cortando os pulsos, foi hora de me entregar ao sono profundo, pois eu já tinha visto tudo o que precisava para seguir adiante, fosse na vida real, fosse em um plano espiritual superior. Cancun, mar verde-água, furacão, resort com all inclusive, hóspedes alojados no salão de eventos do hotel, barulhos assustadores do lado de fora... ampf!

E depois daquela noite surreal acordamos com o barulho dos funcionários do hotel organizando o café da manhã no salão de eventos. Ao sair do “abrigo”, a surpresa. Sem feridos, sem estragos.



a nova cara do hotel após o Rina
E um novo dia se apresentou pra nós.
Como dizem os filósofos: “depois do vendaval, a calmaria”.


sem legenda
















Aí sim, férias merecidas.
Um mar de verdade.
Chocolate só em barra, pra saborear depois da janta.

sexta-feira, dezembro 30, 2011

O que rolou em 2011


É só ligar a televisão, abrir uma revista ou ler o jornal que lá está a palavra do momento: “retrospectiva”.

Chega o fim de um ano e acaba-se passando um pente fino no que aconteceu durante os 365 dias daqueles 12 meses datados pelo calendário gregoriano.
Porém, só o que se vê nas manchetes são os desastres naturais, os acidentes de trânsito que tiraram a vida de um cem número de jovens, os dissabores pessoais de ícones da mídia, os problemas do sistema de saúde no país, a corrupção que cada dia sai debaixo do tapete, as várias injustiças oriundas do Poder Judiciário, a péssima atuação de alguns membros das instituições “democráticas” e os milhares de assaltos, sequestros, homicídios e abusos sexuais estampados em espaço preferencial nos noticiários.

Só que o brasileiro, na sua maioria, é um ser humano que adora ver uma tragédia. E adora ver o circo pegar fogo, adora ver as pessoas aos prantos sofrendo, seja porque perdeu a sua casa em uma enchente, seja porque perdeu uma perna em um acidente de trânsito, seja porque os filhos foram assassinados por um padrasto alcoólatra.
E isso se reflete no Big Brother Baboseira que logo logo tomará conta da televisão e de milhares de telespectadores, que comentarão as intrigas, as brigas, as confusões, os choros e as piores atuações em todas as redes sociais, simultaneamente.

Eu estou cansada disso.
Em protesto, e para manter a minha sanidade mental, tenho feito vistas grossas para jornais e telejornais quando o assunto é dor, tristeza e violência.
E por isso, mudo agora a direção deste post para algo positivo, para aquilo que a vida tem de melhor a nos oferecer: a harmonia.
Quando há harmonia, tudo flui. E tudo flui magicamente. Não é feitiço vindo de Hogwarts, a Escola de Magia de Harry Potter. É a natureza agindo em sua forma originária e, obviamente, natural. É como um lance de futebol que nasce perfeito desde a zaga, passa gloriosamente pelo meio de campo e chega aos pés do atacante, que estufa as redes com um gol de bicicleta.

Todos merecemos ser felizes. Sem exceção.
Mas somos nós que temos que buscar essa harmonia.

Em 2011 rolou muito mais coisa boa do que ruim, ficaria horas e horas descrevendo todos os bons sentimentos que surgiram, os sorrisos que ganhei, as gargalhadas que dei, as novas amizades que fiz, a convivência divertida com a família, a surpresa e a emoção de ganhar um anel de noivado, os lugares que visitei, as lições que aprendi, os sonhos que realizei, o amor que vivi.

Assim, a minha retrospectiva vem desenhada pelas imagens que captei nesse 2011, ficando aqui o desejo de que 2012 seja só harmonia, só saúde, só sucesso, só aventuras e só amor. E .

Imbituba, SC
Plataforma Marítima de Tramandaí, RS
Praia de Tramandaí, RS - dia incomum







Amèlie Poulain na pia do bandeiro em Tramandaí, RS
O paraíso de sempre: Garopaba, SC
Praia do Rosa, SC - fim de tarde
Charqueada Boa Vista em Pelotas, RS

Arroio Pelotas, RS

Amèlie Poulain em pose surpreendente para fotografia
Parque Farroupilha, Porto Alegre, RS
              
         A Redenção do Parque Farroupilha, Porto Alegre, RS



A magia do Castelo de Hogwarts, Universal´s Islands of Adventure, Orlando, USA
Procurando Nemo no Epcot Center, Orlando, USA
O café personalizado do Paul em Miami, USA
Chichen Itza, México - as muralhas dos maias
Cenote Peligro, México
A tormenta chegando em Cancun, México

depois do sufoco, a calmaria - Cancun, México
Um xavante se despede do Eucaliptos, Porto Alegre, RS

Victorio lançando seu charme em Pelotas, RS

Feliz Natal!

Os enfeites dizem tudo, ou nada
Fim de tarde e de ano no litoral gaúcho - Tramandaí, RS