Domingo, Janeiro 10, 2010

Antes tarde do que mais tarde

2009 passou e com ele veio a realização de um antigo sonho, ou melhor, um sonho adolescente, daqueles que a gente pensa que nunca vai se concretizar.

Quando eu tinha os meus 13, 14 anos, eu e umas amigas éramos alucinadas por uma banda pop americana. Em decorrência disso, criamos um fã-clube, com direito à carteirinha impressa em serigrafia, reuniões de diretoria e a publicação de um jornalzinho semanal – era tudo muito profissional.

A nossa diversão era trocar correspondência com outras fãs, espalhadas por esse Brasil afora (nessa época não tínhamos internet, era tudo na escrita mesmo, cartinha com selo do correio e tudo o mais), dividir materiais publicados em revistas e jornais e, principalmente, sonhar com uma ida ao Rock in Rio II (que, monetariamente, era impossível para nós).

O máximo que conseguimos chegar perto deles foi através de uma revista americana importada, que o pai de uma das minhas amigas comprou nos Estados Unidos... era como se soubéssemos que realmente eles deram aquela entrevista, que eles eram “reais”.

Nós também costumávamos comemorar os aniversários dos integrantes da banda, como se fosse o aniversário de nossos maridos, ou de pessoas muito próximas – a propósito, cada uma das gurias era apaixonada por um dos integrantes, assim, não havia brigas, pois éramos em número de 5 e eles também.

Não, não. Prefiro ainda não revelar o nome da banda.
Vamos primeiro curtir esse momento da adolescência, de sonho e fantasia, de poesia e música, de vida intensa...

Também costumávamos ensaiar e dançar as músicas deles, seguir os seus passos (step by step), fazer suas caras e bocas e, é claro, se vestir como eles (senão não teria graça nenhuma, certo?). Abrindo outro parênteses: certa vez, fomos “convidadas” a dançar uma de suas músicas mais conhecidas na semana da criança em uma escola pública da cidade em que morávamos. Foi uma das coisas mais LOUCAS e mais DIVERTIDAS que já fiz na vida.

O tempo foi passando, nós fomos crescendo, eles foram crescendo e, um tempo depois de todo o estouro pop, a banda acabou. Cada um seguiu o seu caminho, uns lançaram carreira solo, outros viraram produtores e outros, atores. Nós também, cada uma seguiu o seu sexto sentido, mas sempre com aquela magia em comum.

O fato é que em 2008 eles RESSUSCITARAM.
Acho que caíram da cama e bateram com a cabeça.
Sim, depois de estarem descapitalizados, resolveram se juntar novamente e ganhar uma graninha extra. Pasmém: a volta tinha tempo marcado – apenas 6 meses. Mas o pior de tudo é que eles começaram a ganhar dinheiro novamente, MUITO DINHEIRO, então o prazo de 6 meses caiu por terra.

Foi quando uma das minhas melhores amigas (e também presidente do fã-clube na época) me mandou um e-mail com a agenda de show deles para 2009 e com a seguinte frase: “Vamos vê-los?”.
A turnê deles era pelos Estados Unidos e nós, moças já feitas na vida, não tínhamos nada a perder, a não ser alguns dólares... passaporte e visto na mão, lá fomos nós para Chicago!

É difícil descrever a emoção de realizar um sonho, principalmente 18 anos mais tarde e ao lado de alguém que viveu as mesmas fantasias.
E os americanos tem esse talento incrível de transformar momentos em superproduções de Hollywood.

Foi assim que, muitos anos depois, aquela MAGIA da adolescência voltou, com cores e brilhos mais fortes, com direito a frio na barriga, contato de perto com os nossos ídolos do passado e a certeza de que NADA NESSA VIDA É IMPOSSÍVEL.

Pois, antes tarde do que mais tarde.





NKOTB FOREVER!

Joe, Jonathan, Donnie, Danny e Jordan

18 anos depois, eles estão de volta

Danny e Donnie, só pra nós

Danny, a two steps...

as adolescentes mais felizes de 2009!!!



Quarta-feira, Setembro 02, 2009

A Lenda do Aniversário da Rainha Elizabeth

Era uma vez uma princesa, nascida no ano de 1948 em um belo castelo no interior da cidade encantada de Uruguaiana, fronteira com a Argentina.

Após anos de estudos com os melhores educadores da região, e sempre acompanhada de seu fiel escudeiro cão, chamado "Faruque", a bela princesa finalmente se transformou na grande Rainha Elizabeth, vindo a contrair núpcias no ano de 1974 com o Príncipe Avo, da capital flatulenta de Porto Alegre.

Em seguida, o casal real teve 3 lindos filhos: o Príncipe Bocaiúva (apelidado carinhosamente de "Boca"), dedicado às artes mecânicas, de serviços gerais e de bicicletaria montanhesa, casado com a Princesa Caci Jones, conhecedora da mente humana; a Princesa Peruquenta, conhecida por sua vasta e "linda" madeixa crespa, dedicada ao estudo das leis incompreensíveis e unida estavelmente com o Lord francês Paul Renault Chateaubriand; e o Príncipe Teta, dedicado ao estudo das línguas árabe, egípcia e hebraica, bem como ao uso moderado dos anabolizantes e suplementos musculares.

A família real sempre viveu muitas aventuras divertidas, principalmente ao lado de Sua Alteza, a Rainha Elizabeth, dona de um bom gosto sem igual pelas coisas mais finas e requintadas (reza a lenda de que ela teria um parente distante, também nascido no castelo de Uruguaiana, conhecido por "Zezinho Pinguim", o qual, posteriormente, veio se tornar seu concunhado).

A verdade é que a Rainha Elizabeth sempre foi uma guerreira fashion week (uma mistura de "She-ra" com sapatos altos e vestido roxo) - excelente dona de casa, cozinheira, mãe e professora - além de possuir um corpo de dar inveja nas bruxas maquiavélicas de Greiscow.

Curiosos da região de Colina do Sol contam que acompanharam de perto a rotina dessa maravilhosa rainha, a qual saía pela manhã para fazer um "bico" como bióloga, voltava para preparar o almoço dos seus herdeiros e do seu rei, limpava o palácio (de vários cômodos e andares), se dirigia ao centro do comércio (com o objetivo de "negociar" dívidas com lojas famosérrimas, entre elas Renner e C&A), retornava para o café da tarde (imperdível e insubstituível), lecionava aulas de etiqueta, fofocas e moda à noite e, por fim, ainda regava os jardins do castelo com todo amor e carinho. Ah, sem esquecer do cafunezinho que fazia em seus cães de raça pura: Duquesa Natascha e Dom Vitório.

Um dos seus sonhos era o de passar o primeiro ano de sua terceira idade em Paris, em algum salão de beleza estilo "Hugo Beaty", ao som de "Tina Turner", tomando um vinhozinho branco, regado com pequenos pedaços de gelo (sua bebida favorita), em plena Champs Élysées.

Entretanto, o Rei Avo não pode levá-la romanticamente a Paris, em decorrência da crise, a qual ocasionou o aumento drástico de processos na justiça do trabalho, tenho sido reconhecido como de urgência pública os dotes contabéis do querido rei.

Mas isso não foi problema, pois no ano posterior à entrada na terceira idade, a Rainha Elizabeth providenciou uma comemoração regada a muito fondue de chocolate, comida, bebida e pouca malhação, ocasionando um encontro familiar real encantador, divertidíssimo e altamente calórico em uma cidade da serra.

E ninguém jamais acreditaria que seria um momento inesquecível, a ponto de parar o tempo, ou melhor, de "acelerar" o tempo, literalmente.

Reza a lenda que, na noite em que a rainha completaria 61 anos, houve uma metamorfose na Terra, gerando um rápido pulo de um ano no tempo (inclusive, parece que Nostradamus teria previsto tal oscilação temporal terrestre).

Foi assim que, "caminhando contra o vento", a Rainha Elizabeth comemorou, avoadamente, os seus 62 anos, ao invés de comemorar os seus 61 anos...

Dizem as más línguas que ela teria se baseando na idade de sua cunhada, a Rainha Zéca, casada com o Duque Zezinho Pinguim; mãe do Príncipe Zé Karateca - mestre das artes marciais-, da Princesa Tchuchuca - dedicada à arte de fazer eventos-, e do Príncipe Zé Marley Príncipe - cantor, corretor de imóveis internacionais e Don Juan; e tia da Princesa Cláudia - dedicada à nutrição familiar e casada com o Lord Fernando, mais conhecido como "Google".


Rainha Elizabeth em seu momento real na comemoração de seus 62 anos, ops, 61 anos.

Domingo, Agosto 02, 2009

A história do fardamento esquecido

Tinha tudo para ser um dia igual ao outro - almoço, trabalho, casa - com exceção do jogo de futebol que ele tinha depois do expediente, às 18h15min.
O jovem casal saiu de casa de carro, ao invés de praticarem a habitual caminhada até o trabalho, isso porque havia necessidade de levar a mochila com as roupas do futebol.
Após o futebol, ele foi buscá-la no trabalho dela, para então irem até o supermercado, comprar algumas coisas para o jantar.

Ele estava um pouco suado, ainda com as roupas do futebol.
Ela estava toda encasacada, pois aquela semana o frio resolvera mostrar a cara de vez.

Chegaram ao caixa do supermercado com as compras e ele, como sempre bem-humorado, disse que havia esquecido a carteira no carro, tirando “um tempo” dela, que em seguida passou a mão na carteira para pagar as compras, rindo da situação (afinal de contas, eles fazem a contabilidade de tudo o que compram juntos).

Foi quando ele se lembrou de comentar com ela que, apesar de terem ido de carro para o trabalho, ele havia esquecido a mochila com a roupa do futebol em casa, tendo que voltar depois do trabalho para se fardar e ir ao jogo.

Ela caiu na gargalhada, pois isso é uma coisa que “quase” sempre acontece com ele... (é a carteira que fica no carro do taxista, é a chave que fica dentro do carro, é a sanduicheira que fica no trabalho... enfim... coisas da vida).

Nesse momento, enquanto ela tinha uma síncope de tanto rir no balcão da caixa do supermercado, a moçoila do caixa passava os produtos na leitora de código de barras e, numa intervenção de mestre, olha para o casal e diz:
“Como é que é? Eu me perdi! O que aconteceu no futebol???”

Em transe, o jovem casal respira fundo e não acredita naquela situação - a moçoila do caixa simplesmente queria participar do assunto, rir um pouco, quem não gosta de rir, não é mesmo?

Enquanto ele se ensaiava para não ser desagradável e compartilhar a história do fardamento esquecido, ela tem outra síncope de tanto rir... onde é que esse mundo vai parar?

Domingo, Junho 07, 2009

As aventuras de Dom Luigi

Era uma vez um domingo muito frio na capital gaucha. Mas MUITO frio MESMO. Como diria uma pessoa muito próxima: “um frio de renguear cusco”.

Dom Luigi estava apreensivo: aquele domingo ficaria marcado na sua memória, não pelo frio, mas pelo calor que encontraria, mais tarde, dentro do estádio do seu time de futebol.
E lá estava ele: completamente encasacado, toquinha de lã, sorriso de orelha a orelha e, é claro, vestindo a camiseta do seu glorioso time por cima de todos os seus blusões.

Mais cedo, quando ainda estava em casa, sua mãe o alertou: “Luigi, hoje está muito frio...” Ele, sem piscar os olhos, pensando que seria um golpe para lhe manter em casa, começou um choro contrariado, dizendo: “mas eu quero ver o meu time...

O frio não foi suficiente para lhe afastar do seu destino naquele fim de tarde de domingo.
Chegando na Av. Padre Cacique, Dom Luigi estava um tanto maravilhado - era muita gente vestida de vermelho, saindo de um lado e de outro, todos indo a uma só direção: o GIGANTE DA BEIRA-RIO.

Dom Luigi não parava de falar... estava tão ansioso, iria ver o seu time pela primeira vez, jogando ao vivo e a cores... e lá foi ele, subindo, subindo, subindo até a parte superior do estádio. Ao sair do elevador e se defrontar com aquela cena magnífica – o estádio inteiro a sua frente, milhares de pessoas vestindo vermelho e branco, a grama verdinha e a torcida organizada batucando a alegria de mais um jogo em casa – Dom Luigi congelou, não piscou
mais – mas não foi de frio.


(Dom Luigi em seu momento mágico)

Aquela cena lhe tocara a alma e o coração, ao ponto de fazê-lo permanecer quieto, parado, estagnado – a emoção invadia a vida do pequeno Luigi, com quase quatro anos de idade.
Mas a cena não emocionou apenas o bambino: sua mãe, também estreante no estádio e na vida futebolística de seu time, parou por instantes para admirar aquela beleza inexplicável.


(a magia contagiante do estádio)

Era o calor da torcida. Era o calor daquele momento mágico.

Dom Luigi previa, minutos antes do início da partida: “meu time vai ganhar de cinco a zero”. Bem, já bastaria uma simples vitória, não interessasse o placar, para que ele e sua mãe saíssem felizes daquela odisséia.

A partida começou e Dom Luigi estava – pasmem – extremamente comportado e sentado na cadeira - maravilhado com aqueles homens de vermelho pra cá e pra lá, chutando, correndo, jogando o seu excelente futebol.
Até que...
GOLLLLL!!!
O estádio foi a loucura e o frio se escondeu, todos gritavam, pulavam de alegria!!!
Um a zero para o Gigante da Beiro-rio!

Dom Luigi ficou assustado e, rapidamente, se virou para a mãe e perguntou: “o que eu faço agora???” Era a primeira vez que ele estava assistindo a um jogo de futebol, ali, bem pertinho do campo... não sabia como se comportar... mas logo se acostumou e a cada lance de gol pulava, gritava, sorria!

Depois, foi a vez de perguntar porque a torcida fazia “uhhh”, “ahhh”, “ehhh”, em determinados momentos... ele não entendia como aquele monte de gente falava a mesma coisa, quase que ao mesmo tempo... realmente, era um nova experiência na vida de Dom Luigi. Cinco minutos depois, já estava ele fazendo biquinho e acompanhando a torcida... “uhhh, quase gol!

E como todo iniciante no estádio, Dom Luigi queria explorar cada cantinho, subir e descer correndo as escadarias, ir de uma ponta a outra, sentar em várias cadeiras ao mesmo tempo (talvez procurasse o melhor ângulo para assistir ao jogo). Nesse momento, o que lhe deixou mais tranquilo (por alguns intantes, claro) foi ouvir música através do telefone celular de sua mãe, que, delicadamente, colocara os fones de ouvido em suas orelhas. Ele se virou para a sua mãe e disse, convicto: “eles disseram que o meu time vai vencer”.

Quem seriam “eles”?
Sua mãe decidiu dar uma “ouvidinha” no rádio e, inacreditavelmente, Dom Luigi estava ouvindo o jogo. Sim, ele havia colocado na estação de rádio que transmitia o jogo, exatamente aquele jogo que ele estava assistindo ao vivo e a cores... como todo bom torcedor, ele estava acompanhando o jogo também pelo rádio... Dom Luigi, com apenas três anos de idade.

Mas foi no finalzinho da partida que Dom Luigi demonstrou porque carrega um título honorífico, uma qualidade moral inata. O jogo já estava dois a zero para o seu time quando então, o árbitro da partida, de forma totalmente equivocada, marcou um pênalti para o time contrário... óh céus, que injustiça!!! O estádio inteiro não perdoou o árbitro e começou a xingá-lo terrivelmente, de todos os péssimos palavrões que conhecemos...
Mas Dom Luigi se manteve íntegro e simplesmente exclamou para o árbitro: “você é um feio!!!”.

(O que seria de nós, desastrosos e perversos adultos, que deixamos de lado nossa inocência, se não fosse a beleza de aprender com as sábias lições das crianças!!!)

E Dom Luigi foi embora, mais falante do que nunca, chiacherando, comentando cada detalhe da partida, a qual assistira bem quietinho e comportado, num momento quase raro de sua existência (segundo as palavras de sua mãe)... só perdeu mesmo para o balanço do carro quando voltava para casa, o qual, por instantes, lhe fez adormecer.

Foram muitas as emoções naquela noite fria de maio, que de fria só teve mesmo o gol de pênalti marcado pelo time contrário, num bizarro erro da arbitragem.

Arrivederci, Dom Luigi!