domingo, agosto 28, 2011

Um tributo à infância



"Vou pintar um arco-íris de energia
Pra deixar o mundo cheio de alegria
Se tá feio ou dividido
Vai ficar tão colorido
O que vale nessa vida é ser feliz

Com o azul eu vou sentir tranqüilidade
O laranja tem sabor de amizade
Com o verde eu tenho a esperança
Que existe em qualquer criança
E enfeitar o céu nas cores do amor
No amarelo um sorriso
Pra iluminar feito o sol tem o seu lugar
Brilha dentro da gente
Violeta mais uma cor que já vai chegar
O vermelho pra completar meu arco-íris no ar

Toda cor têm em si
Uma luz uma certa magia
Toda cor têm em si
Emoções em forma de poesia
Toda cor têm em si
Uma luz uma certa magia
Toda cor têm em si
Emoções em forma de poesia
Eô, eô
Eô, eô
Eô, eôôôôôô...

No amarelo um sorriso
Pra iluminar feito o sol tem o seu lugar
Brilha dentro da gente
Violeta mais uma cor que já vai chegar
O vermelho pra completar meu arco-íris no ar
Toda cor têm em si
Uma luz uma certa magia
Toda cor têm em si
Emoções em forma de poesia
Toda cor têm em si
Uma luz uma certa magia
Toda cor têm em si
Emoções em forma de poesia
Eô, eô
Eô, eô
Eô, eôôôôôô...

Toda cor têm em si
Uma luz uma certa magia
Toda cor têm em si
Emoções em forma de poesia
Toda cor têm em si
Uma luz uma certa magia
Toda cor têm em si
Emoções em forma de poesia"

(Xuxa)

domingo, julho 03, 2011

"Eu odeio segundas-feiras"


Nunca havia penetrado no âmago do ódio de Garfield pelas segundas-feiras, até ter encontrado uma segunda-feira para ficar na memória. Melhor, para ficar gravada ao pé do ouvido.


27.06.2011 - segunda-feira

O celular toca o alarme de costume – são 5h50min.

Está um frio de matar (para não dizer “ducaralho”), mas tenho que levantar da cama, tomar banho, tomar café, juntar minhas coisas e ir trabalhar. Detalhe: tenho que viajar 120Km para chegar no meu destino a tempo da primeira audiência, às 8h50min.

Comigo também acordam todos: o meu gato (humano) e a nossa gatinha (felina).

Notícias externas informam que caiu uma árvore na Av. Borges de Medeiros, tendo em vista o vento forte. Lembro que as janelas não pararam de bater a noite toda – que coisa bem irritante.

São 7h e sigo o meu destino até o litoral norte: ainda está escuro, mas consigo enxergar a árvore caída da Av. Borges de Medeiros e há uma estranha sensação na rua de que não existe mais vida humana na capital gaúcha – é o frio, ele definitivamente chegou.

Não consigo tirar o casaco dentro do carro, mesmo com o ar-condicionado ligado no quente.

No caminho, o carro balança pra cá e pra lá, mesmo sem nenhum veículo ultrapassando na pista. Interessante, podia jurar que alguma nave extraterrestre estaria tentando me levar daqui, puxando o carro que ora está sob o meu controle, ora está sob o controle da natureza.

Uma hora e meia depois estou na sala de audiências: cheguei na hora (me odiaria se não chegasse na hora). O ar-condicionado da sala está estragado e não funciona – tenho dúvidas se ainda tenho dedos na mão.

Vou para a minha sala. Poucos minutos depois toca o telefone: uma amiga vem me dar uma notícia triste, não compatível com a minha intuição sobre o caso e, repentinamente, falta luz em toda a rua. Mistérios...

O frio passa a ser notícia em todos os jornais e meios de comunicação: "temperatura mínima em Porto Alegre nesta segunda-feira é de 4ºC".

Curiosamente, o frio ataca inclusive aquele estado brasileiro do norte que 90% da população acredita que não existe: falo do Acre.

A manhã é perdida por causa da falta de luz: sem audiências, sem computador, sem impressora... começo a pensar em Garfield: que manhã perdida! Podia ter ficado na cama, é o que o meu gato (humano) diria, mas jura que eu conseguiria dormir tendo gazeado o trabalho.

Ao andar pela cidade, cartazes rasgados pelo vento, publicidades destruídas, postes caídos, folhas secas e panfletos comerciais voando pelos ares... chego no supermercado e faço algumas compras. Estranho,vejo apenas eu e os funcionários no local.

Chegando na garagem do meu prédio, ouço o barulho de um carro subindo a rampa com pressa, penso que deve ser um vizinho com muita fome ou com muita vontade de ir ao banheiro. Tiro a minha mala do carro e as compras do supermercado, calmamente. Há algo estranho no ar, mas só me dou conta disso quando chamo o elevador e ele não vem. Não há luzes piscando, não há luz no prédio! Putz grilis, estou sem elevador!

Estou no primeiro andar. Lá vou eu pelas escadas mesmo. Primeiro subo cinco andares com a minha mala e cruzo com várias vizinhas que nunca vi na vida. Deixo a mala no meu apartamento e volto para pegar as compras no carro. No caminho da escadaria encontro com a zeladora que me relata que o vizinho do 14º andar ficou preso no elevador (penso comigo: deve ter sido o apressadinho aquele – risos internos, seguido de uma risada maléfica). Contudo, a luz voltou por segundos e ele conseguiu descer em um andar qualquer, tendo que subir os demais pela escada. Subo os demais degraus rindo: sempre pode ser pior!!!

Depois do almoço, a luz volta no trabalho. Olho para a rua e vejo um poste caído à margem da calçada e penso: por sorte caiu no horário do almoço e não tinha um carro estacionado ali. Olho os coqueiros existentes dentro do pátio do fórum e imagino que eles podem cair no meu carro...

Nesse exato momento de reflexão, ao sair do carro no pátio do fórum, ventos com sei lá quantos quilômetros de velocidade atingem a porta do meu carro – que estava quase aberta -, a qual violentamente encaixota a ponta da minha pequena orelha direita.

Fico desnorteada: não sei se o que está doendo é a paulada ao pé do ouvido ou o frio no corpo todo. De imediato, coloco minhas mãos congeladas (estilo Bob do X-Men) na orelha – sinto um certo alívio. Quem sou eu?

Durante a tarde, minha estagiária fala do medo que tem de as ondas do mar e o Rio Tramandaí avancem em sua casa e lhe consumam a vida pela água – é tanto desastre para um dia nublado e frio... tudo o que eu sinto é um forte calor na orelha direita – estaria alguém falando de mim, ou em mim??? Ouço as batidas do coração na orelha e penso – que coisa bizarra.

No fim do dia, tudo o que eu desejo é estar em frente a minha pequena estufa – aquela que só uso em circunstâncias muito críticas, tendo em vista meu histórico de alergias. Penso que só um banho quente pode me salvar. Ligo o chuveiro a gás, pois o elétrico não dá conta do recado. Nada de ouvir o barulho do motorzinho do junker... ele não está funcionando. Diabos!

Nada pode ser pior em uma segunda-feira de frio do que não ter água quente no chuveiro. A pilha do junker parece que acabou. Definitivamente, eu odeio segundas-feiras (plagiando descaradamente o Garfield)!

São 18h36min e tenho que ir até o supermercado, sendo que esse é o pior horário para estar lá, pois a gerência prefere economizar nos funcionários que atendem no caixa, enquanto acabam por exercitar a paciência em seus clientes.

A essa altura do campeonato a ponta da minha orelha já estava roxa e adormecida. O resto do meu corpo parecia andar na mesma frequência, mas ainda precisava de mais um pouco de calma, até chegar em casa e, finalmente, não sentir tanto frio.

Final do dia, só para ter certeza de que era um segunda-feira para se odiar, o micro-ondas não aquece a sopa de capeletti adequadamente. Mais dois minutos de espera para, enfim, acabar a noite embaixo das cobertas.

A segunda-feira caiu, literalmente, em cima de mim.




domingo, março 06, 2011

A concha de março

Nesta última sexta-feira ganhei um presente inusitado da minha mãe: uma concha do mar.




Quando era pequena, costumava procurar e catar as conchas e estrelas do mar na praia de Cidreira e, anos depois, na praia do Cassino.
Como se elas pudessem se defender dos humanos, principalmente da curiosidade de uma criança.

Ficava fascinada com as curvas e estruturas desses seres marinhos, todas muito complexas para uma pessoinha de 6 anos de idade, que não sabia ainda se era menina ou menino, em razão do corte curtíssimo do cabelo, desbastado estilo “Chitãozinho e Xororó” (coisas de minha avó materna, que eram permitidas pela minha mãe), da vontade de jogar de futebol e de andar atrás do meu irmão e do meu primo mais velhos.

[Parênteses: e agora falando do meu cabelo de criança (para não dizer a minha “peruca”), não posso esquecer de mencionar que foi minha tia paterna que me salvou de uma terapia a se iniciar na adolescência. Lembro que depois de tanto parecer um menino salvagem (parecido com aquele amiguinho do Mel Gibson em “Mad Max além da cúpula do trovão”), minha tia deu um basta: fez o primeiro rabicó nos meus cabelos e disse que depois daquele dia ninguém mais ia cortar o meu cabelo daquele jeito. Obrigada!]



Mas voltando às conchas e estrelas do mar...
Lembro que os adultos diziam que se podia ouvir as ondas do mar colocando o ouvido dentro de uma concha, e eu ficava intrigada com aquilo... e também maravilhada.

Assim, a primeira coisa que fiz quando ganhei o meu presente foi, é claro, lançá-la próximo do ouvido. E não é que tinha barulho das ondas do mar mesmo!!!

(para saber sobre a formação das conchas, leia em “mundo estranho”)

Embora digam que, na verdade, o que ouvimos é a soma de vários ecos produzidos pela concha, fenômeno este que se chama “reverberação”, haja vista a sua forma interior semelhante a um labirinto em espiral, prefiro ficar com a mágica das ondas...

A propósito, transformarei minha concha em meu amuleto, como no filme “Inception”, em português “A origem”, com Leonardo di Caprio. Contudo, será meu amuleto do subconsciente, dos sonhos e das fantasias, e não da realidade. Quem viu o filme sabe do que eu estou falando (eu espero...).

Não podemos perder de vista a criança que um dia existiu em nós, nem que ela tenha tido uma peruca insuperável na infância.

domingo, janeiro 02, 2011

UM ANO NOVINHO EM FOLHA...

No ar, promessas de tempos melhores.

Uma chuva fina e refrescante penetra o segundo dia do ano de 2011.
Que maravilha, hoje é domingo.

Imbituba, SC, 2 de janeiro de 2011

Uma roda de mate recomeça e notícias são lidas de um jornal local.
Há quem prefira pular na piscina e investigar a churrasqueira do hotel, privativa dos funcionários (“coisa de catarina”, pensam uns).

E há quem pretenda atualizar esse blog, tão só de si mesmo.

Um dos últimos solos a ser pisado em 2010 foi a terra da garopa.


Garopaba, SC, 31 de dezembro de 2010


O paraíso outrora encantado, infelizmente, agora é encontrado abarrotado de pessoas, de poluição sonora, de urbanização...

Saudades daquela Garopaba livre de grifes, de celebridades, de tunt tunt, em que se andava pra cá e pra lá com a mesma havaiana por ruas pacatas, com os anseios de liberdade de tudo o que sufocava, dominava e manipulava. Era apenas o sol, a brisa leve, o silêncio e os bons amigos.

Contudo, vem a globalização e com ela outras descobertas são feitas: a tranquila Praia de Imbituba (primeira foto acima).

E que 2011 seja um ano cheio de descontração e muita dança, pois a virada assim o foi! Ha!

Virada 2010/2011: atenção para o detalhe no telão

quarta-feira, setembro 22, 2010

Nessas eleições, diga SIM ao vandativismo!

Quem me conhece sabe: sou contra qualquer forma de vandalismo.

Porém, contudo, me descobri adepta do vandativismo ao assistir o vídeo abaixo.

E talvez muitos de vocês também sintam uma vontade louca de comprar uma máscara preta (no melhor estilo Zorro), um spray de tinta e uma caixa de fósforo.

Infelizmente, a realidade deste país, carente de políticos corretos e rico de brasileiros que se vendem por uma migalha do Bolsa Família, é o reflexo do que se vê nas ruas: ninguém respeita as regras eleitorais, ninguém respeita a rotina do cidadão honesto, ninguém se importa em pagar uma multinha ali, outra acolá, porque, afinal de contas, o cidadão vai continuar votando nas mesmas pessoas tacanhas de sempre.

Por isso, nessas eleições, diga SIM ao vandativismo!!!

quarta-feira, julho 21, 2010

Tempo de vuvuzelas sem emoção

Depois daquela copa do mundo de 1998, em que o Brasil entregou a taça para a França, permitindo que a imaginação sobre toda aquela celeuma perdurasse até os dias de hoje, nunca mais a copa do mundo foi a mesma.

Pelo menos pra mim, torcedora do Brasil.

Ainda lembro do brilho, da garra, da disposição, do amor pela camiseta daqueles jogadores da copa de 1994, e incluo aí o capitão Dunga, embora eu tenha a mesma antipatia por ele do que ele tem pela vida (em um outro post eu conto essa história).



Dunga e o único sorriso que deu na vida: nem Branco nem Romário acreditaram na cena

Nenhum brasileiro que consciente viveu aquela época esquecerá dessas cenas, que ficarão marcadas para sempre na memória daqueles que mesmo sem entender lhufas de futebol, acompanharam essa seleção mágica de 1994.

Bebeto embalando as emoções daquela copa


"vai que é tua, Tafarel"

De lá pra cá, ninguém mais vingou, nem a vitória brasileira na copa de 2002, no Japão.

"O Fenômeno", se antecipando no tempo e pedido a número um, até virar o Gorducho dos dias atuais


Prefiro nem comentar o fiasco que foi a copa de 2006, na Alemanha: uma seleção sem alma, sem vontade, sem espírito esportivo e com muitos cardaços para amarrar.


E aí vem 2010.


O brilho dessa copa ficou a cargo, com certeza, da alegria do povo africano, das suas danças, músicas, cores e sorrisos. E nem isso foi capaz de animar a brasileira aqui, tão carente de uma seleção carismática, enigmática, fantástica, como a de 1994.


O capitão Lúcio bem que tentou, foi guerreiro, correu atrás da jabolani, mas ele era o líder de uma torcedora Só.


(não deu, pessoal)

segunda-feira, abril 26, 2010

Não pare de acreditar

Depois que o INTERNACIONAL permitiu que o pior acontecesse - uma vitória do rival dentro da nossa própria casa [lotada] - e a perda de nosso querido capitão - GUIÑAZU (que não participará do próximo GRENAL por ter recebido o terceiro cartão amarelo), só com o som dessas crianças para seguir a semana...

Alguém consegue não se animar com eles?


Don´t stop believin'!!!

(domingo que vem tem mais!)


domingo, março 21, 2010

Sobre a minha aversão a fumantes...

Um milhão de palavrões passam pela minha cabeça toda a vez que encontro um sem número de mulheres sem educação que trabalham para o Judiciário gaúcho e que fumam no banheiro do 10º andar do Foro Central, sem qualquer respeito com as demais pessoas.

Há um mega cartaz, colorido, bem escrito, comunicando às fumantes femininas de sua impossibilidade de praticarem esse enfadonho vício no quarto de banho, porém, toda vez que lá ingresso, tenho que dar meia volta.

Dou meia volta porque o cheiro do cigarro me tira da minha mansietude e me mostra o meu lado mais cruel e perverso. Nem tenho coragem de listar todas as maldades que já passaram pela minha cabeça, e lembrem que os requintes seriam baseados na minha experiência como auxiliar de necropsia. Quem sabe, sabe, Jack.

Outro dia o Paul me mandou esse link aqui, deixo para reflexão. Estou até pensando em imprimir o texto e colocar no banheiro feminino.

Segue o texto, por Alexandre Soares Silva:

"Ei, fumantes

Imagino um mundo em que as pessoas gostam de ficar girando com estrume na mão. Porque, sei lá, é gostoso ficar sentindo a força centrífuga do estruminho na palma da sua mão, os pedaços voando por entre os seus dedos.

E deve ser mesmo, mas fede, né? E espalha estrume pra todos os lados? Daí, como fede, e espalha pra todos os lados, as pessoas que ainda não pegaram o costume começam a reclamar.

-Uh, que fresca, não pode rodopiar bosta perto dela! Oh, des-cul-pe!, diz o sujeito rodopiando bosta entre as mesas do restaurante. Garçons o escoltam até a calçada, cheia de gente rodopiando bosta.

Sem parar de rodopiar, e se bostejando recíproca e gostosamente, conversam indignados:


-Na Alemanha hitlerista que era assim, você não podia rodopiar bosta na frente do Hitler que ele ficava uma arara.

-Acabou a época do glamour.

-Daqui a pouco a gente só vai poder rodopiar bosta trancado no banheiro.

-Absurdo!

-Humphrey Bogart vivia rodopiando bosta nos filmes dele. Nada mais sexy que a Lauren Bacall com a cara toda respingada.

-Essa gente não tem estilo.


Enquanto isso clientes tentam entrar no restaurante contornando os rodopiadores, exagerando até, não precisava tanto! não é urânio!, e resmungando, lançando olhares, por causa de uma gotinha ou duas em seus preciosos cabelos.

-Que foi, atingi a Princesa com a minha grotesca bosta de cavalo? Oh, des-cul-pe!"

Loucuras desse verão

- caminhar às 18h, horário de verão, em pleno Gasômetro, sem vento. Ah, e no domingo;
- dormir sem ar-condicionado, ventilador de teto, ou ventilador normal. Ah, e com a janela fechada.

Isso basta, não?

segunda-feira, fevereiro 15, 2010

Os pitaqueiros do carnaval

De quando em quando eu gosto de ouvir os comentários futebolísticos e todos os pitacos que os jornalistas e afins dão nesses programas radiofônicos, todos os dias.

É interessante ouvir os “riquíssimos ensinamentos” sobre como ser um excelente técnico de futebol, como escalar perfeitamente o time e como fazê-lo ganhar, mesmo estando quase na zona de rebaixamento. Ah, sem falar nas críticas que jogadores e técnicos recebem por não atenderem, simpaticamente, a imprensa, como se eles não tivessem um bom motivo para assim agirem...

Juro que quase cheguei a entrar em contato com uma dessas rádios, só para saber quanto ganha um ser humano que exerce tal atividade, depois de tantas coisas terríveis que já ouvi. Porém, desisti. Não sei se valeria a pena entrar nessa guerra de palavras e pensamentos. Ademais, toda regra tem uma exceção. Oremos.

Não farei nenhuma crítica quanto ao português empregado (ou desempregado, digamos), façamos de conta que todos os que possuem o poder da palavra, tanto no rádio como na TV, possuem, no mínimo, o ensino superior incompleto... oremos novamente.

Eu havia esquecido, depois de quase dois anos sem acompanhar os desfiles de carnaval do Rio de Janeiro pela TV, que os comentaristas estão lá também. E, ao assistir maravilhada a criatividade de cada escola de samba, renovada a cada ano, parei para prestar atenção na narrativa carnavalesca...

A primeira coisa que me veio à cabeça: ainda bem que não é a voz do Galvão Bueno! Só isso já acalmou a minha alma, embebecida pelas cores e pelo batuque da bateria... mas convenhamos: de onde eles tiram aqueles comentários? Será que as escolas de samba não poderiam antecipar o enredo?

Penso, humildemente, que comentar futebol é pra qualquer um. Qualquer um que goste, no mínimo, de praticar o esporte, e saiba, profundamente, o quanto é emocionante dominar uma bola e chutá-la em gol, dar um “olé” qualquer, fazer uma defesa acrobática inesquecível e acertar um passe no pé do companheiro de campo.

Contudo, para comentar o carnaval, é preciso, no mínimo, um pouco de vivência dentro do barraco, ao lado do suor da pele, do bordado que durou meses para ser feito, do peso da fantasia, do sentido da melodia, da razão do samba, da ordem dos acontecimentos. Eu não tenho essa experiência, e seria uma excelente pitaqueira do carnaval.

O jeito é ficar mais dois anos distante do desfile de carnaval do Rio de Janeiro que passa na TV, ou, na pior das hipóteses, é ficar sem o agitado batuque da bateria... silêncio absoluto. Em pleno carnaval.

sábado, fevereiro 13, 2010

A FALSÁRIA

Foi em uma dessas oportunidades baratas que aquela criaturinha se jogou embaixo do primeiro carro que apareceu. Era o seu grande dia de sorte, depois de ter tentado aplicar esse golpe durante muitos dias.

Ocorre que o carro parou e dele saiu uma generosa jovem, disposta a ajudar da melhor maneira possível aquele serzinho assustado. Tal jovem, conhecida por “Felícia”, era fã de felinos.

Aquela criaturinha, cinza-tigrada, olhos verdes, quatro patas, estava imóvel, mal se mexia, e havia um calombo na cabeça com resquícios de sangue. Nitidamente se encontrava desnutrida e aparentava ter sido violentamente espancada. Era uma cena de dar dó a qualquer ser humano. Olhar fixo para o horizonte, a criaturinha orava para os céus, como quem pedia ajuda ao vento.

Porém, toda essa cena, digna dos filmes de Hollywood, era apenas para impressionar.

E aquela jovem, amante de gatos, iludida por aquela armação, não pensou duas em vezes em levar aquela criaturinha para sua casa e dar-lhe toda a atenção necessária.

E foi em sua casa que a falsária se apresentou primeiramente como “Enzo”, tendo recebido banhos diários, muito leite e uma boa vida, digna de todo e qualquer gato rico.

Os dias foram passando e a falsária demonstrava ser um felino amável, merecedor daquele lar aconchegante, cheio de regalias e mimos, tendo sido transferida para a casa da vovó, onde receberia carinhos em quádruplo.

Na primeira consulta ao veterinário, por estar muito abatida e abandonada (perfil que ela simulou), ninguém ainda havia descoberto que “Enzo” se tratava de uma fêmea... e ela continuou a simulação.

Contudo, nenhuma mentira dura para sempre. Foi quando, na segunda consulta ao veterinário, a máscara caiu. “Enzo”, em verdade, se tratava de “Luly Baluly”, felina foragida da Itália (por isso o nome “Enzo”), aplicadora de golpes em humanos.

Descobriu-se, através de contato com a polícia secreta italiana, que “Luly Baluly” aplicou o mesmo golpe no Vaticano, mas teria sido descoberta por um pastor alemão, o qual, em visita de rotina nos aposentos do Papa, flagrou a gatuna dormindo em lençois de seda pura.

Porém, antes de ser presa, a gatuna se refugiou no Brasil, o paraíso dos criminosos, tendo sido vista, pela última vez, na doce Paris dos Pampas Gauchos.

Se alguém a tiver visto por aí, ligue para LINHA FELINA DIRETA, 0800-miau-miau.

Sua identidade será preservada.


Luly Baluly em sua última aparição pelo Brasil

domingo, janeiro 10, 2010

Antes tarde do que mais tarde

2009 passou e com ele veio a realização de um antigo sonho, ou melhor, um sonho adolescente, daqueles que a gente pensa que nunca vai se concretizar.

Quando eu tinha os meus 13, 14 anos, eu e umas amigas éramos alucinadas por uma banda pop americana. Em decorrência disso, criamos um fã-clube, com direito à carteirinha impressa em serigrafia, reuniões de diretoria e a publicação de um jornalzinho semanal – era tudo muito profissional.

A nossa diversão era trocar correspondência com outras fãs, espalhadas por esse Brasil afora (nessa época não tínhamos internet, era tudo na escrita mesmo, cartinha com selo do correio e tudo o mais), dividir materiais publicados em revistas e jornais e, principalmente, sonhar com uma ida ao Rock in Rio II (que, monetariamente, era impossível para nós).

O máximo que conseguimos chegar perto deles foi através de uma revista americana importada, que o pai de uma das minhas amigas comprou nos Estados Unidos... era como se soubéssemos que realmente eles deram aquela entrevista, que eles eram “reais”.

Nós também costumávamos comemorar os aniversários dos integrantes da banda, como se fosse o aniversário de nossos maridos, ou de pessoas muito próximas – a propósito, cada uma das gurias era apaixonada por um dos integrantes, assim, não havia brigas, pois éramos em número de 5 e eles também.

Não, não. Prefiro ainda não revelar o nome da banda.
Vamos primeiro curtir esse momento da adolescência, de sonho e fantasia, de poesia e música, de vida intensa...

Também costumávamos ensaiar e dançar as músicas deles, seguir os seus passos (step by step), fazer suas caras e bocas e, é claro, se vestir como eles (senão não teria graça nenhuma, certo?). Abrindo outro parênteses: certa vez, fomos “convidadas” a dançar uma de suas músicas mais conhecidas na semana da criança em uma escola pública da cidade em que morávamos. Foi uma das coisas mais LOUCAS e mais DIVERTIDAS que já fiz na vida.

O tempo foi passando, nós fomos crescendo, eles foram crescendo e, um tempo depois de todo o estouro pop, a banda acabou. Cada um seguiu o seu caminho, uns lançaram carreira solo, outros viraram produtores e outros, atores. Nós também, cada uma seguiu o seu sexto sentido, mas sempre com aquela magia em comum.

O fato é que em 2008 eles RESSUSCITARAM.
Acho que caíram da cama e bateram com a cabeça.
Sim, depois de estarem descapitalizados, resolveram se juntar novamente e ganhar uma graninha extra. Pasmém: a volta tinha tempo marcado – apenas 6 meses. Mas o pior de tudo é que eles começaram a ganhar dinheiro novamente, MUITO DINHEIRO, então o prazo de 6 meses caiu por terra.

Foi quando uma das minhas melhores amigas (e também presidente do fã-clube na época) me mandou um e-mail com a agenda de show deles para 2009 e com a seguinte frase: “Vamos vê-los?”.
A turnê deles era pelos Estados Unidos e nós, moças já feitas na vida, não tínhamos nada a perder, a não ser alguns dólares... passaporte e visto na mão, lá fomos nós para Chicago!

É difícil descrever a emoção de realizar um sonho, principalmente 18 anos mais tarde e ao lado de alguém que viveu as mesmas fantasias.
E os americanos tem esse talento incrível de transformar momentos em superproduções de Hollywood.

Foi assim que, muitos anos depois, aquela MAGIA da adolescência voltou, com cores e brilhos mais fortes, com direito a frio na barriga, contato de perto com os nossos ídolos do passado e a certeza de que NADA NESSA VIDA É IMPOSSÍVEL.

Pois, antes tarde do que mais tarde.





NKOTB FOREVER!

Joe, Jonathan, Donnie, Danny e Jordan

18 anos depois, eles estão de volta

Danny e Donnie, só pra nós

Danny, a two steps...

as adolescentes mais felizes de 2009!!!



quarta-feira, setembro 02, 2009

A Lenda do Aniversário da Rainha Elizabeth

Era uma vez uma princesa, nascida no ano de 1948 em um belo castelo no interior da cidade encantada de Uruguaiana, fronteira com a Argentina.

Após anos de estudos com os melhores educadores da região, e sempre acompanhada de seu fiel escudeiro cão, chamado "Faruque", a bela princesa finalmente se transformou na grande Rainha Elizabeth, vindo a contrair núpcias no ano de 1974 com o Príncipe Avo, da capital flatulenta de Porto Alegre.

Em seguida, o casal real teve 3 lindos filhos: o Príncipe Bocaiúva (apelidado carinhosamente de "Boca"), dedicado às artes mecânicas, de serviços gerais e de bicicletaria montanhesa, casado com a Princesa Caci Jones, conhecedora da mente humana; a Princesa Peruquenta, conhecida por sua vasta e "linda" madeixa crespa, dedicada ao estudo das leis incompreensíveis e unida estavelmente com o Lord francês Paul Renault Chateaubriand; e o Príncipe Teta, dedicado ao estudo das línguas árabe, egípcia e hebraica, bem como ao uso moderado dos anabolizantes e suplementos musculares.

A família real sempre viveu muitas aventuras divertidas, principalmente ao lado de Sua Alteza, a Rainha Elizabeth, dona de um bom gosto sem igual pelas coisas mais finas e requintadas (reza a lenda de que ela teria um parente distante, também nascido no castelo de Uruguaiana, conhecido por "Zezinho Pinguim", o qual, posteriormente, veio se tornar seu concunhado).

A verdade é que a Rainha Elizabeth sempre foi uma guerreira fashion week (uma mistura de "She-ra" com sapatos altos e vestido roxo) - excelente dona de casa, cozinheira, mãe e professora - além de possuir um corpo de dar inveja nas bruxas maquiavélicas de Greiscow.

Curiosos da região de Colina do Sol contam que acompanharam de perto a rotina dessa maravilhosa rainha, a qual saía pela manhã para fazer um "bico" como bióloga, voltava para preparar o almoço dos seus herdeiros e do seu rei, limpava o palácio (de vários cômodos e andares), se dirigia ao centro do comércio (com o objetivo de "negociar" dívidas com lojas famosérrimas, entre elas Renner e C&A), retornava para o café da tarde (imperdível e insubstituível), lecionava aulas de etiqueta, fofocas e moda à noite e, por fim, ainda regava os jardins do castelo com todo amor e carinho. Ah, sem esquecer do cafunezinho que fazia em seus cães de raça pura: Duquesa Natascha e Dom Vitório.

Um dos seus sonhos era o de passar o primeiro ano de sua terceira idade em Paris, em algum salão de beleza estilo "Hugo Beaty", ao som de "Tina Turner", tomando um vinhozinho branco, regado com pequenos pedaços de gelo (sua bebida favorita), em plena Champs Élysées.

Entretanto, o Rei Avo não pode levá-la romanticamente a Paris, em decorrência da crise, a qual ocasionou o aumento drástico de processos na justiça do trabalho, tenho sido reconhecido como de urgência pública os dotes contabéis do querido rei.

Mas isso não foi problema, pois no ano posterior à entrada na terceira idade, a Rainha Elizabeth providenciou uma comemoração regada a muito fondue de chocolate, comida, bebida e pouca malhação, ocasionando um encontro familiar real encantador, divertidíssimo e altamente calórico em uma cidade da serra.

E ninguém jamais acreditaria que seria um momento inesquecível, a ponto de parar o tempo, ou melhor, de "acelerar" o tempo, literalmente.

Reza a lenda que, na noite em que a rainha completaria 61 anos, houve uma metamorfose na Terra, gerando um rápido pulo de um ano no tempo (inclusive, parece que Nostradamus teria previsto tal oscilação temporal terrestre).

Foi assim que, "caminhando contra o vento", a Rainha Elizabeth comemorou, avoadamente, os seus 62 anos, ao invés de comemorar os seus 61 anos...

Dizem as más línguas que ela teria se baseando na idade de sua cunhada, a Rainha Zéca, casada com o Duque Zezinho Pinguim; mãe do Príncipe Zé Karateca - mestre das artes marciais-, da Princesa Tchuchuca - dedicada à arte de fazer eventos-, e do Príncipe Zé Marley Príncipe - cantor, corretor de imóveis internacionais e Don Juan; e tia da Princesa Cláudia - dedicada à nutrição familiar e casada com o Lord Fernando, mais conhecido como "Google".


Rainha Elizabeth em seu momento real na comemoração de seus 62 anos, ops, 61 anos.

domingo, agosto 02, 2009

A história do fardamento esquecido

Tinha tudo para ser um dia igual ao outro - almoço, trabalho, casa - com exceção do jogo de futebol que ele tinha depois do expediente, às 18h15min.
O jovem casal saiu de casa de carro, ao invés de praticarem a habitual caminhada até o trabalho, isso porque havia necessidade de levar a mochila com as roupas do futebol.
Após o futebol, ele foi buscá-la no trabalho dela, para então irem até o supermercado, comprar algumas coisas para o jantar.

Ele estava um pouco suado, ainda com as roupas do futebol.
Ela estava toda encasacada, pois aquela semana o frio resolvera mostrar a cara de vez.

Chegaram ao caixa do supermercado com as compras e ele, como sempre bem-humorado, disse que havia esquecido a carteira no carro, tirando “um tempo” dela, que em seguida passou a mão na carteira para pagar as compras, rindo da situação (afinal de contas, eles fazem a contabilidade de tudo o que compram juntos).

Foi quando ele se lembrou de comentar com ela que, apesar de terem ido de carro para o trabalho, ele havia esquecido a mochila com a roupa do futebol em casa, tendo que voltar depois do trabalho para se fardar e ir ao jogo.

Ela caiu na gargalhada, pois isso é uma coisa que “quase” sempre acontece com ele... (é a carteira que fica no carro do taxista, é a chave que fica dentro do carro, é a sanduicheira que fica no trabalho... enfim... coisas da vida).

Nesse momento, enquanto ela tinha uma síncope de tanto rir no balcão da caixa do supermercado, a moçoila do caixa passava os produtos na leitora de código de barras e, numa intervenção de mestre, olha para o casal e diz:
“Como é que é? Eu me perdi! O que aconteceu no futebol???”

Em transe, o jovem casal respira fundo e não acredita naquela situação - a moçoila do caixa simplesmente queria participar do assunto, rir um pouco, quem não gosta de rir, não é mesmo?

Enquanto ele se ensaiava para não ser desagradável e compartilhar a história do fardamento esquecido, ela tem outra síncope de tanto rir... onde é que esse mundo vai parar?

domingo, junho 07, 2009

As aventuras de Dom Luigi

Era uma vez um domingo muito frio na capital gaucha. Mas MUITO frio MESMO. Como diria uma pessoa muito próxima: “um frio de renguear cusco”.

Dom Luigi estava apreensivo: aquele domingo ficaria marcado na sua memória, não pelo frio, mas pelo calor que encontraria, mais tarde, dentro do estádio do seu time de futebol.
E lá estava ele: completamente encasacado, toquinha de lã, sorriso de orelha a orelha e, é claro, vestindo a camiseta do seu glorioso time por cima de todos os seus blusões.

Mais cedo, quando ainda estava em casa, sua mãe o alertou: “Luigi, hoje está muito frio...” Ele, sem piscar os olhos, pensando que seria um golpe para lhe manter em casa, começou um choro contrariado, dizendo: “mas eu quero ver o meu time...

O frio não foi suficiente para lhe afastar do seu destino naquele fim de tarde de domingo.
Chegando na Av. Padre Cacique, Dom Luigi estava um tanto maravilhado - era muita gente vestida de vermelho, saindo de um lado e de outro, todos indo a uma só direção: o GIGANTE DA BEIRA-RIO.

Dom Luigi não parava de falar... estava tão ansioso, iria ver o seu time pela primeira vez, jogando ao vivo e a cores... e lá foi ele, subindo, subindo, subindo até a parte superior do estádio. Ao sair do elevador e se defrontar com aquela cena magnífica – o estádio inteiro a sua frente, milhares de pessoas vestindo vermelho e branco, a grama verdinha e a torcida organizada batucando a alegria de mais um jogo em casa – Dom Luigi congelou, não piscou
mais – mas não foi de frio.


(Dom Luigi em seu momento mágico)

Aquela cena lhe tocara a alma e o coração, ao ponto de fazê-lo permanecer quieto, parado, estagnado – a emoção invadia a vida do pequeno Luigi, com quase quatro anos de idade.
Mas a cena não emocionou apenas o bambino: sua mãe, também estreante no estádio e na vida futebolística de seu time, parou por instantes para admirar aquela beleza inexplicável.


(a magia contagiante do estádio)

Era o calor da torcida. Era o calor daquele momento mágico.

Dom Luigi previa, minutos antes do início da partida: “meu time vai ganhar de cinco a zero”. Bem, já bastaria uma simples vitória, não interessasse o placar, para que ele e sua mãe saíssem felizes daquela odisséia.

A partida começou e Dom Luigi estava – pasmem – extremamente comportado e sentado na cadeira - maravilhado com aqueles homens de vermelho pra cá e pra lá, chutando, correndo, jogando o seu excelente futebol.
Até que...
GOLLLLL!!!
O estádio foi a loucura e o frio se escondeu, todos gritavam, pulavam de alegria!!!
Um a zero para o Gigante da Beiro-rio!

Dom Luigi ficou assustado e, rapidamente, se virou para a mãe e perguntou: “o que eu faço agora???” Era a primeira vez que ele estava assistindo a um jogo de futebol, ali, bem pertinho do campo... não sabia como se comportar... mas logo se acostumou e a cada lance de gol pulava, gritava, sorria!

Depois, foi a vez de perguntar porque a torcida fazia “uhhh”, “ahhh”, “ehhh”, em determinados momentos... ele não entendia como aquele monte de gente falava a mesma coisa, quase que ao mesmo tempo... realmente, era um nova experiência na vida de Dom Luigi. Cinco minutos depois, já estava ele fazendo biquinho e acompanhando a torcida... “uhhh, quase gol!

E como todo iniciante no estádio, Dom Luigi queria explorar cada cantinho, subir e descer correndo as escadarias, ir de uma ponta a outra, sentar em várias cadeiras ao mesmo tempo (talvez procurasse o melhor ângulo para assistir ao jogo). Nesse momento, o que lhe deixou mais tranquilo (por alguns intantes, claro) foi ouvir música através do telefone celular de sua mãe, que, delicadamente, colocara os fones de ouvido em suas orelhas. Ele se virou para a sua mãe e disse, convicto: “eles disseram que o meu time vai vencer”.

Quem seriam “eles”?
Sua mãe decidiu dar uma “ouvidinha” no rádio e, inacreditavelmente, Dom Luigi estava ouvindo o jogo. Sim, ele havia colocado na estação de rádio que transmitia o jogo, exatamente aquele jogo que ele estava assistindo ao vivo e a cores... como todo bom torcedor, ele estava acompanhando o jogo também pelo rádio... Dom Luigi, com apenas três anos de idade.

Mas foi no finalzinho da partida que Dom Luigi demonstrou porque carrega um título honorífico, uma qualidade moral inata. O jogo já estava dois a zero para o seu time quando então, o árbitro da partida, de forma totalmente equivocada, marcou um pênalti para o time contrário... óh céus, que injustiça!!! O estádio inteiro não perdoou o árbitro e começou a xingá-lo terrivelmente, de todos os péssimos palavrões que conhecemos...
Mas Dom Luigi se manteve íntegro e simplesmente exclamou para o árbitro: “você é um feio!!!”.

(O que seria de nós, desastrosos e perversos adultos, que deixamos de lado nossa inocência, se não fosse a beleza de aprender com as sábias lições das crianças!!!)

E Dom Luigi foi embora, mais falante do que nunca, chiacherando, comentando cada detalhe da partida, a qual assistira bem quietinho e comportado, num momento quase raro de sua existência (segundo as palavras de sua mãe)... só perdeu mesmo para o balanço do carro quando voltava para casa, o qual, por instantes, lhe fez adormecer.

Foram muitas as emoções naquela noite fria de maio, que de fria só teve mesmo o gol de pênalti marcado pelo time contrário, num bizarro erro da arbitragem.

Arrivederci, Dom Luigi!

quarta-feira, maio 06, 2009

Conjuntando a tivite

Foi preciso uma conjuntivite no olho direito para me trazer novamente aos posts de cada dia.

Caro leitor, não se preocupe: fique o quanto quiser.

O contágio é pessoal, não virtual – por enquanto – até os japoneses inventarem um vírus que ataque os humanos via computadores.

Nesse momento “quarentena”, em que não posso ir trabalhar, não posso ficar em locais fechados e devo evitar o contato com outros humanos, encontrei alguém que sabe muito bem o que estou passando: Will Smith, em “I am legend”.

Sei, sei.
Esse filme já passou a um tempão atrás, mas só agora pude assisti-lo.
Gostei bastante do enredo. Depois descobri que há um fim alternativo rodando por aí.

É engraçado como ficamos impressionados com determinados filmes, os quais acabam nos acompanhando por dias afora. As imagens, as falas, as idéias ficam gravadas no nosso pensamento...

Lembrei-me das minhas aulas de Biodireito que tive no curso de pós-graduação... o filme ressuscitou mil coisas na minha cabeça... os experimentos biogenéticos, as doações de sangue e órgãos, a criação de vacinas e antivírus, a máfia farmacêutica (de quebra me lembrei de partes do filme “O Jardineiro Fiel”), enfim... coisas que estão fora do meu alcance, uma simples mortal. Mas coisas que estão logo ali, nas mãos de cientistas, pesquisadores, inovadores, psicopatas... sei lá.

Também pensei no que estamos vivendo com essa história de “gripe suína”, a tal gripe “A, Y, Z, H1N1”... todo esse caos no México, em outros países... a mídia sensacionalista, o mercado farmacêutico, milhares de máscaras por aí... será que as coisas estão acontecendo exatamente como estão nos mostrando na TV?

E eu cá, conjuntando a tivite... transmitida pelo ar... nem sei onde andei que estava exposta...

A pergunta é: esses cientistas, espalhados por toda parte do planeta, sabem o que estão fazendo? Eles têm consciência do que podem criar?

Não sou contra o progresso, não.

Minha dúvida é saber se o que estão fazendo por aí é só para ganhar mais dinheiro, ou se seria para o bem da humanidade. Por exemplo, como é que ninguém ainda não criou um remédio que cure a conjuntivite de imediato??? Ah, não deve ser tão difícil assim...

Para encerrar o desabafo de uma pessoa trancafiada em casa, será que o nosso mundo vai se transformar na Los Angeles do filme “Blade Runner – o caçador de andróides”?
Para quem não lembra, o filme se passa no ano de 2019, numa cidade sem árvores, sem sol, sem animais, cheia de arranha-céus (com mais de 100 andares), veículos por terra e céu, lotação habitacional e uma chuvinha ácida, para completar.

Enfim, preciso de ar puro.
E de uma boa grama verde pra pisar.

“Emancipate yourselves from mental slavery;
None but ourselves can free our minds.
Have no fear for atomic energy,
'Cause none of them can stop the time
How long shall they kill our prophets,
While we stand outside and look
Some say it's just a part of it:
We've got to fulfill the book.”

(Bob Marley – Redemption song)

sexta-feira, março 27, 2009

A vida na TV...

Às vezes, depois de um dia de trabalho, tudo o que se quer é apenas descansar. Se jogar debaixo do chuveiro. Fazer um lanche. Dormir mais cedo. Abrir um novo livro. Ir ao cinema. Dançar. Pular no sofá. Brincar com o controle remoto da TV.
Poucas vezes uso a TV como uma estratégia para o descanso, mas confesso que na última semana foi a opção mais próxima que encontrei, entre uma navegada e outra na internet, entre uma página e outra de “A menina que roubava livros”.

Tática extremamente infeliz.

Primeiro, vieram as chamadas para o “BBB” (Big Brother Baboseira), fazendo especulações, mostrando intrigas, expondo bundas, tatuagens e tetas. Depois, o programa continuava a ser exibido após a super novela das oito (a qual por ironia passa às nove), que por vezes mostra imagens do estrangeiro (com algumas paisagens até que interessantes - nem tudo está perdido), fazendo supor que as filmagens nos cenários são reais e que todo elenco global se encontra por lá, no “Caminho das Índias”...

Então, depois de ouvir as mesmas conversas de NOVE SOFRIDOS E DESESPERADORES ANOS (tendo que aguentar essa futilidade do BBB desde 2000); aquela choradeira toda - “você votou em mim, seu traidor”; as super amizades que nascem no confinamento e são esquecidas na vida real; o fato de que todo mundo tem que votar em alguém, goste ou não (pombas, esse é o jogo, certo?), e que no fim o pessoal está recebendo - e bastante - para expor a sua imagem (ainda que ela não valha nada para os milhões de brasileiros que ligam a TV nessa hora e nesse canal), simular, gritar, representar, fofoquear, brigar, chorar, blá blá blá; é hora de trocar de canal.

E troca, troca, troca, troca de canal... e NADA.

Para quem não tem TV a cabo, a morte súbita na cama parece ser o único fim. A não ser que se volte à navegação, à leitura, ao chocolatinho sagrado de todos os dias, ao aconchego dos carinhos do ser amado.

Mas não, uma última tentativa, uma última promessa... “Promessas de Amor”, o verdadeiro reloaded de “Os mutantes - caminhos do coração”.

Não, não me perguntem mais nada.

Sim, se estou a falar desses programas, é porque, em algum momento da semana, dediquei míseros minutos da minha audiência a eles...

Mas sabem o que é pior? É descobrir que vale muito mais a pena (porque pateticamente divertido) assistir a luta entre os humanos e os mutantes, ver os direitos constitucionais dos mutantes serem atacados (gente, essa é a fala dos personagens, inacreditável - a mesma Constituição que protege os humanos deve protege os mutantes - isso é direito intergaláctico, ou na fala deles, são os direitos humanos dos mutantes!!!), do que tolerar o Big Brother Baboseira (que, cá pra nós, tem todo o jeito de ser pura armação).

A gargalhada é coisa garantida com os mutantes, principalmente porque por mais imbecil que seja o enredo (e ele o é - não duvidem disso), alguns bons atores conseguem dar vida ao absurdo (como por exemplo as gêmeas interpretadas por Françoise Fourton, o mutante chefe interpretado por Walmor Chagas [o vistoso Afonso da Maia, da minissérie global “Os Maias”]). Por outro lado, alguns atores são terrivelmente péssimos (o que, infelizmente, é motivo de muita risada), sendo que a ausência de elementos que possam embasar essa minha afirmação me faltam: só vendo para entender (eu digo: vejam, pelo menos uma vez na vida).

Não pretendo ofender ninguém que curte esses programas - eles até que me são divertidos...
Como vivemos numa sociedade pluripartidária, democrática e o escambau, é normal que tenhamos opiniões diferentes, alicerçadas em vivências culturais variadas - boas ou não.

Paciência.

Hoje eu só precisava mesmo era desabafar.
P.S.: para matarem um pouquinho a curiosidade, vejam o trailer de "Os mutantes - caminhos do coração", abaixo...


sábado, março 21, 2009

THE REVENGE!

No seriado americano LOST, não há quem não esteja realmente LOST, inclusive - e principalmente - o próprio telespectador.

Depois de dormir minhas 8h de sono por dia e navegar pelas mais absurdas teorias sobre o seriado, quem eu encontro?

Sim... o Paulo.


(legenda dispensável)


Eu só ainda não me aventurei de verdade no seriado porque todas as pessoas que já assistiram que eu conheço não conseguiram me dizer o que de fato acontece. Isso ocorre com todas, sem exceção, e não é porque elas queiram fazer mistério, elas realmente não sabem!

Se é o retorno à Ilha da Fantasia, se são experimentos humanos da época nazista, se são espíritos vivendo no plano espiritual, se é uma dimensão de outro mundo ou se são congressistas da Opus Dei, deixarei para ver todo o seriado quando ele acabar.

Prefiro mesmo assistir ao agente Angus Macgyver. Muito mais divertido e educacional. Ha!


(sintam o figurino, década de 80 - primeiro episódio)

Touché!!!






domingo, março 15, 2009

A história do útero caído

Outro dia fui visitar a minha avó, mãe do meu pai, com quem eu tive o prazer de morar por três - divertidos e incríveis - anos. Depois que o meu avô se foi (com os seus quase 95 anos - há um post em homenagem a ele em janeiro de 2007), por óbvio, minha avó ficou AINDA mais ...

Acontece que essa velhinha, de 89 anos, cabelos brancos por opção, andar mancado, com olhos de bolinhas de gude, SEMPRE tem uma história inacreditável a contar. Às vezes sabemos que ela incrementa algumas falas que não existiram, descreve sentimentos que não ocorreram, mas, enfim, sabemos que alguma coisa fez parte do passado dela, a qual ela faz questão de dividir conosco.

Foi assim que num dia desses ela nos contou sobre a Angélica, uma mestiça que ajudava a fazer o serviço doméstico na casa dos pais dela, em uma fazenda no interior de Bojuru, 3º Distrito da cidade de São José do Norte, no Rio Grande do Sul, tchê.

Desde os 4 anos de idade minha avó ouvia as pessoas da casa comentarem que Angélica tinha o útero caído, que ficava pendurado por entre as pernas, blá blá blá... o que aguçava ainda mais a intensa curiosidade daquela pequena menina... que diabos seria o tal útero caído?

Certa vez, Angélica foi lavar roupas nas margens do rio, tendo a minha avó pedido a sua mãe para ir junto, pois queria se refrescar um pouco (talvez ela tivesse dito que queria “tomar a fresca”, ou algo do gênero)... Minha bisavó, sem saber dos planos que minha avó tinha para descobrir a verdade sobre o útero caído, permitiu que ela fosse.

Chegando nas margens do rio, minha avó deitou-se no chão, de forma que pudesse enxergar por entre as pernas de Angélica, que agachada, lavava calmamente as roupas da família. Era um plano extremamente simples para uma criança de 6 anos, mas que, para sua tenra idade, era de grande revelação e de difícil compreensão.

Minha avó conta que quando se deparou com aquela cena horripilante, um útero realmente caído por entre as pernas - “preto” - dizia ela, saiu correndo, um pouco enojada, outro pouco realizada - ela, de fato, esteve cara-a-cara (literalmente) com o tal útero caído.

Quando ela nos contou essa história, eu, meu irmão mais novo e a acompanhante da minha avó caímos na risada, imaginando que ela, mais uma vez, estava a nos enrolar com as suas histórias fantásticas... Minha avó ria conosco, da história que viveu e que relembrava com requintes de detalhes. Nós, ríamos da história como se ela fosse inventada, como se nunca tivesse existido, porque, cá pra nós, um útero caído pendurado entre as pernas, isso não existe!

É, mas existe sim.
Vergonhoso termos duvidado de nossa avó.

Após uma sessão de gargalhadas, me deu um estalo na cabeça: mas e se existir o tal “útero caído”? Naquele tempo, as doenças recebiam nomes bizarros... quem nunca ouviu falar do “bico de papagaio”,“nó nas tripas”, “pontada”, “água no pulmão”, “lombrigas”, e por aí vai...

Foi nesse momento que me lancei na internet:

Nome:
Prolapso do útero acontece quando o útero se exterioriza no canal vaginal

Definição: a caída ou o deslizamento do útero de sua posição normal na cavidade pélvica para dentro do canal vaginal

Causas, incidência e fatores de risco:
Normalmente o útero é sustentado pelo tecido conjuntivo da pélvis e pelo músculo pubococcígeo, e mantido no lugar por ligamentos especiais. O enfraquecimento desses tecidos faz com que o útero desça até o canal vaginal. O trauma sofrido pelos tecidos durante o parto, especialmente no parto de crianças grandes ou em trabalhos de parto ou em nascimentos rápidos, é a causa típica da fraqueza muscular. Acredita-se que a perda do tônus muscular e o relaxamento dos músculos, ambos associados ao envelhecimento normal e à redução do estrógeno, o hormônio
feminino, desempenhem um papel importante no desenvolvimento do prolapso uterino. A descida também pode ser causada por um tumor pélvico, ainda que tal fato seja raro.”

A saber: Angélica já tinha tido um filho na época.


Com vocês, a incrível Edith Só, contadora de histórias fantásticas: